segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Sobre Capas de Livros

Mesmo com a globalização quase no auge, o que mais existe por aí são tribos. Tipo de gente. Gêneros de música. Tipos de gente + gêneros de música. Tudo.
Emos, punks, pagodeiros, roqueiros, funkeiros, manos do rap, maloqueiros do shopping, patricinhas, mauricinhos, góticos, hippies, indies, otakus, homossexuais, heterossexuais, transexuais, pansexuais, feministas, machistas, ateus, católicos, protestantes, crentes, islâmicos, judeus, budistas, hinduístas, deístas, agnósticos, nerds, geeks, gremistas, colorados, brancos, negros, amarelos, vermelhos, ingleses, europeus, asiáticos, brasileiros, gaúchos, varzeanos, esquerdistas, centristas, direitistas, conservadores, liberais... são tantos rótulos que é só esperar mais um pouco que eu lembro de mais.
Tudo bem agrupar as pessoas nesses diferentes grupos, mas isso já virou um vício que leva ao preconceito. Por que ao agrupar, de certo modo criamos na cabeça uma imagem do grupo, e não de cada um separado. Para quem vê de fora, todos naquele grupo são iguais, e isso é o preconceito em sua mais literal interpretação.
A única coisa que todos temos iguais é que somos diferentes uns dos outros. Não só fisiologicamente, já que gêmeos univitelinos tem o mesmo DNA e cabeças muito diferentes. O que acontece, é que desde que nascemos a mente muda devido a cada experiência que temos, e cada experiência nova nós vemos com a mente que viu a experiência anterior, então para duas pessoas serem iguais, só se elas tiverem todas as experiências iguais. O que, amigo bom de física, é impossível desde o momento que é impossível duas pessoas ocuparem o mesmo lugar.
Estranho isso, mas verdadeiro: duas pessoas não podem ser iguais por que elas não são a mesma pessoa! Se você pensar nisso, a fundo, vai torrar uma meia dúzia de neurônios, mas os sobreviventes ficarão mais fortes do que antes e você vai no fim ser uma pessoa melhor.
Se ninguém é igual a ninguém, não convém determinar de antemão que, por exemplo, dois hippies sejam iguais, ou que todos os comunistas são canibais que comem criancinhas com chimia no café da manhã. Cada pessoa tem tanto a mostrar quanto nós mesmos, e perdemos muito ao ignorar isso.
Claro que uma certa generalização é importante, senão não haveriam culturas diferentes (nem boa parte das guerras), o que eu gostaria que o mundo todo entenda, a começar pelos loucos que me lêem, é que o rótulo que a pessoa leva é só um rótulo, diz respeito a apenas uma parte do que a pessoa é por dentro.
Então não é verdade que todo funkeiro/punk/pagodeiro/outro-grupo use drogas. O que acontece é que uma pessoa que tem na mente um mundo tão pequeno a ponto de só conhecer um tipo de música por que é modinha, é uma pessoa bastante propensa a ser usuária de drogas. Isso pode até ser preconceito meu, mas assumo ele.
Outra coisa tão irritante quanto a generalização dos rótulos pelos costumes, é a generalização dos costumes pelos rótulos. Ouvir Simple Plan não é “coisa de emo”. É uma característica bastante importante nesse grupo, mas daí a achar que qualquer um que escuta essa banda é emo é muito preconceito.
Alguém que, como eu, deseja acabar com o preconceito (todos eles), não deveria se importar de ser chamado de emo. Mas acho que todos que, como eu, são gente fina e que gostam de ter amigos, vão entender que é necessário essa porção de hipocrisia para manter uma rede de amizades respeitável. Muitos dos meus amigos mais próximos são preconceituosos. Mas essa é só uma das características deles. Não dá também para criar mais um grupo e rotulá-lo como “preconceituosos”. Quero ser feliz e o jeito é ser tolerante mesmo com os intolerantes. Ou não, muahahaha. Até porque eu adoro piadas sobre emos, gays, loiras, e piadas preconceituosas em geral. Nada pode limitar o humor, nem nenhuma outra criação da mente. Podem até me punir pelo que eu falo, mas atrás dos meus olhos e entre minhas orelhas quem manda sou eu.
Para citar um exemplo mais grotesco e insólito, eu gostaria de pedir que qualquer um que tenha menos de uma idade em que consiga discernir certo e errado, ou que esteja lendo isso de um país com leis rígidas a respeito do que é respeitável ou não, ou que vai se ofender com isso, parasse de ler agora ou continuasse a ler depois do próximo parágrafo.
Então, uma coisa que sempre é associada ao homossexualismo, em tal grau que nem notamos mais, é o sexo anal. Quem, dos homens que estão lendo isso aqui, nunca passou pela situação de, entre os amigos, falar alguma coisa e eles levarem na malícia, tirando o cara pra gay? “Posso sentar?”, você pergunta inocentemente para o amigo que tem um lugar vago ao lado, e ele responde (isso na melhor das hipóteses) “Ah, sei lá, isso é contigo e com tua orientação sexual”. Falo isso por que sei, e ouvi de gente que sabe, de homens que sentem prazer no brioco, e (quando estão numa relação de intimidade em que o homem pode conversar com a parceira sobre esse tipo de coisa) pedem pra sua mulher para satisfaze-los. Os mesmos homens vomitariam se fosse outro homem a satisfaze-los, ao invés da própria mulher.
Enfim, é desagradável esse assunto, não se pode negar. Existem milhares de tabus que a gente nem sabe que é tabu. Mas deu pra captar a moral.
E também serve pra que vejam que existem coisas piores do que meus eventuais posts científicos, que eu sinto que tanto aborrecem os leitores. Quando eu botei o pretensioso subtítulo de “um blog sobre tudo, e mais”, eu não estava brincando.

E se alguém vier me chamar de qualquer um dos rótulos que listei no início do post, é por que não entendeu NADA do que eu falei hoje. Mas aceito que me chamem de nerd. E só.

Well, povo e pova, é isso. Como diria meu amigo Bob Marley, “Dis is mai méssedj tchu iu-rurru”.

5 comentários:

Nati disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nati disse...

Nerd, nerd e nerd. Não sei se é o sono ou é burrice mesmo. Mas, como é que um pessoa de 15 anos tem tanto conhecimento como tu tem? É incrível! Sem mais.

Nati disse...

Para esclarecer, Se é o MEU sono ou é a MINHA burrice.

Antônio disse...

Agora eu sei o que tu sentia quando lia meu blog e pensava: "puta merda, eu aqui, sem assunto, e o cara discorre com tanta facilidade sobre algo aparentemente desinteressante".

Saudades desse meu áureo tempo...

Abraço!

Anônimo disse...

Por que nao:)