terça-feira, 10 de novembro de 2015
Rick and Morty
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Cabeça de Pedra Polida
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Autor Convidado - Marcus V. de Oliveira Gomes
De uma lado, temos delírios de pessoas que estudam e trabalham. Se houver algum outro verbo em meio a esses dois, é lucro. Delírios consumistas, o motor de uma sociedade que se importa mais com o lucro e luxo do que com o próprio progresso. Uma sociedade programada, onde a liberdade é uma utopia jamais conquistada. Somos condicionados. Tudo o que desejamos, o que almejamos, nós somos treinados para querer. Somos, até agora, uma geração sem expressão na história. Não vivenciamos alguma grande guerra, não sobrevivemos alguma grande crise que deixou todo mundo na miséria, nem derrubamos algum grande ditador ou presidente corrupto. Não temos a nossa face, a nossa marca. Não temos os nossos "anos 80" nem nosso "woodstock".
Do outro lado temos uma força nova, com um poder que não imaginamos, mas fazemos alguma ideia. Um terror inimaginável que cresce e se espalha, tomando novas formas e proporções. São essas as pessoas que passam a vida inteira de bunda pra cima rezando pra um ser imaginário. Uma alienação de mentes em massa que aterroriza quem? O nosso lado.
E essas são as duas grandes massas que formam essa guerra fantasma. Duas facções de alienados, explorados, pequenos seres iludidos que não podem sequer imaginar que a existência ou não deles não fará a mínima diferença na ordem do universo. Somos egoístas em pensar que somos uma raça importante. Não pensamos quando travamos guerras.
E em meio a esse caos, há os outros. E eu te pergunto...
... e nós?
sábado, 11 de setembro de 2010
Pra não deixar passar
sábado, 12 de junho de 2010
Nem preto, nem branco: cinza
Em tempos mais felizes de ignorância e rudeza, o homem tinha mais liberdade. Não sei a mulher, mas o homem tinha. Tinha toda uma tribo de opções para copular, e sem apego. Mas veio a Evolução e determinou que os casais que tivessem relações sexuais também deveriam ter relações emocionais, assim tendo mais chances de cuidar dos seus rebentos até que esses, por sua vez, estivessem em idade suficiente para afogar o ganso e passar adiante os genes da monogamia.
E aqui cabe um salve pro pessoal da Xurupita. Eu sou um defensor ferrenho da Evolução, face às teorias pseudo-científicas que fazem tanto barulho dizendo que existem falhas no evolucionismo, desde o criacionismo mais bitolado, passando pelo criacionismo “episódico” até o mais enfeitado Design Inteligente. Só não sou mais militante porque me foi demonstrado empiricamente, obedecendo a um método científico, que eu não conseguiria manter um bom círculo de amizade caso virasse um desses fanáticos que não conseguem guardar o riso para o interior, que sentem sempre necessidade de polemizar, geralmente em momentos pouco oportunos. A maioria das pessoas vai seguir feliz a sua vida, mesmo que não se evangelize ou desevangelize elas. O que eu quis dizer, mas acabei não dizendo pela emoção do momento, é que apesar de ser um partidário da evolução, acho que ela errou feio em instituir o casamento.
Bom, feito o salve, retorno aos momentos felizes. E eram mesmo. Antes da Evolução meter o bedelho, a vida era uma festa: enquanto não nos matávamos caçando, nos matávamos em orgias selvagens, sem pudores, sem valores morais, sem roupas. Se tivesse sido inventado o vinho, lá estaria ele também. Mas não. Surgiu o namoro e o compromisso de cuidar de uma fêmea por vez. Game over, fim da festa Neandertal.
Não fosse a fundação do namoro, não existiria casamento, nem separação. Nossa, não existiriam as ex’s. Gente: não existiriam sogras. Isso, vocês terão de concordar comigo, é argumento suficiente. Mas enfim.
A maior parte dos problemas que temos hoje deriva daí. Sem o seu pilar mais fundamental que é a família, o governo não existiria, não poderia nos roubar nem zoar com nossa cara. Outras organizações, trabalho, escola, toda essa parafernália que usamos para dar algum sentido a nossa existência, para sanar a carência de que a Evolução nos impingiu ao cortar parte de nossa felicidade, não estariam aí. Zero por cento de estresse.
É claro, falarão, esses são maus necessários. O trabalho dignifica o homem; o estudo enleva o espírito; o homem é mais homem quando vive em sociedade. E eu concordo. Confraternizar com Baco o dia inteiro deve ser interessante, mas há algo que falta aí, alguma coisa na nossa cabeça não acha isso suficiente, decerto essa dúvida tenha sido plantada pela própria Evolução, como forma de evitar que se fizesse o que faço hoje aqui: falar mal de alguma escolha dEla. Que seja. Ela estava correta, ou pelo menos suponho que estava.
Mas nós não somos joguetes do destino. Estamos aí não só como peças no jogo, mas como participantes, que jogam também. Todos ao mesmo tempo, sim, gritando e falando juntos, sim, como em um pregão da bolsa. É o jeito. Mas inventamos a camisinha, o anticoncepcional e outros artigos de lazer. E notamos algumas coisas que o compromisso sugere: a) estando com alguém, acaba-se criando por esse alguém aquilo que chamamos de Amor, com letra maiúscula, e diz-se que isso é ótimo, perfeito, imaculado, idolatrado, salve, salve!, e também, no caso de não haver amor, pelo menos pode haver o resto; b) estando-se com alguém, você só pode estar com esse alguém; c) estando sozinho, pode-se estar com quem você quiser; d) geralmente, quando você está sozinho, nunca encontra ninguém para estar com você.
É a história da grama verde do vizinho. O homem é um eterno insatisfeito, que sempre quer mais. E por isso inventou aquilo que provou ser mais útil que o transistor, mais bonito do que eu, e não é um pássaro, não é um avião e nem o Super-Homem. É o relacionamento aberto. Vulgarmente conhecido como amizade colorida.
Une o melhor de dois mundos, e satisfaz os insatisfeitos. Em um mundo de mente aberta como o nosso, vai estar cada vez mais presente, vocês verão. Os nossos antepassados se orgulhariam de nos ver hoje: evoluídos o suficiente para reinventar os modos de nos relacionarmos uns com os outros, de certa forma retornando às antigas, e apesar de toda a desconcentração que isso gera, ainda manter vivos a Física Quântica, o Cálculo Diferencial e Integral e a série Lost, criações supremas da mente humana, outrora acorrentada a um parceiro pelo resto da vida.
Um abraço aí pra todos!
domingo, 4 de abril de 2010
Páscoa
Não é segredo, ou pelo menos não deveria ser, o fato de que eu não sou lá a pessoa mais religiosa do mundo. Minha visão sobre a religião é às vezes agressiva (quando em relação aos 11’s de setembro que acontecem pelo mundo), mas na maior parte das vezes é compreensiva, levemente zombeteira. Então se você sentir-se ofendido com algo daqui, poxa, morda-se de raiva. (risos)
A Páscoa Cristã refere-se - como todos nós estamos cansados de saber devido àquelas aulas sutilmente proselitistas que tínhamos no ensino fundamental em que a “tia” nos ensinava a rezar antes de comer pedindo fartura e depois de batermos no nosso colega, pedindo perdão - à Ressurreição de Cristo, que descarta apresentações. Como a suposta ressurreição (a morte eu consigo aceitar; a ressurreição é mais complicada...) ocorreu no período do Pessach, em que os judeus comemoram a sua fuga do Egito (segundo a Wikipédia), acabou que os acontecimentos se misturaram na mentalidade das pessoas e como a Igreja Católica, como instituição, é mais poderosa $$$ que o Judaísmo, o que nos chegou na pré-escola foi a comemoração da renovação, do tempo de fazer a faxina na vida (Papa says: esqc u êxodo).
Tem o chocolate aí no meio, óbvio, porque evitar que alguém queira ganhar dinheiro em cima de uma data é tão impossível quanto alguém ressuscitar e em seguida subir aos céus. Mas vai saber, né.
A idéia aqui é aquela velha idéia que eu sempre retomo com todos: vamos pensar sobre o que é isso. Independente da nossa concordância ou não sobre os detalhes absurdos, todos devemos parar e analisar a nossa vida em busca de coisas em que devemos morrer; situações que já deram o que tinham que dar e que precisam que nós nos renovamos, subamos aos céus e vejamos tudo sob (ou sobre?) um ângulo diferente.
É pra isso que serve a religião. Sem uma data dessas, quando que o Seu Zé faria uma reflexão dessas? Talvez ele fizesse, mas nem todos fariam. Como verdade absoluta (no sentido racional de “verdade”, que é no fim das contas o que conta) a religião não presta, mas se a tomarmos por um lado mais utilitário, como no parágrafo anterior, aproveitando a data para refletir (e comprar chocolate), temos todos muito a ganhar.
Boas reflexões, e uma Feliz Páscoa!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Natal
Mais um final de ano chega, com todos as suas festas, despedidas, promessas, amigos-secretos, presentes, apelos comerciais e reuniões familiares e de amigos. Muita gente vai brigar por causa do último pedaço do chester, muita gente vai brigar por que não tem pedaço algum de chester pra comer, mas todos são, de alguma forma, atingidos pela magia natalina. Por que isso? O que tem essa data de tão importante e comovente?
Há uns 2500 anos, quando o reino davídico de Judá existiu, os judeus estavam certos de que Deus era o juiz do mundo, e que ele castigava os infratores e beneficiava os bons e justos ainda em vida, na forma de bênçãos ou maldições, dependendo o caso. (seja o que for que eles considerassem bondade ou justiça, na época). O que aconteceu-lhes, em seguida, pôs em cheque algumas de suas crenças sobre justiça: todos eles, judeus bons e judeus maus, sofreram quando o seu reino foi destruído pelos caldeus. O azar da guerra não escolheu quem atingir: atingiu quem estava mais perto e mais indefeso.
Mas eles não largaram suas crenças. De alguma forma, para eles, Deus tinha que restabelecer o equilíbrio e lhes dar de volta o reino que tiveram, lhes dar de volta uma “Era de Ouro”, como era chamada a época antes da destruição do reino. Começou a crescer a crença de que Deus enviaria um rei que seria bom para eles e que faria o reino crescer novamente, e por isso muitos falavam da vinda do Messias (ou seja, “o ungido”, já que o rei era ungido com óleo como parte do ritual de entronização). Divagações sobre como seria a nova Era de Ouro mantinham as pessoas esperançosas a respeito de suas vidas; você também acreditaria no que lhe contassem se essa crença lhe fizesse agüentar a vida desgraçada que você levaria lá.
Por algum motivo irracional (existe algum racional?), os judeus foram perseguidos então, o que só fez aumentar a crença em um futuro dourado. Surgiu também a idéia de que o rei que os salvaria seria o Filho do Homem, como diz-se no Livro de Daniel. Mais tarde, houve um popular pregador da Judéia, João Batista (o próprio), cuja mensagem dizia que estava próximo o dia em que o salvador chegaria.
E dessa forma a expectativa de que alguém chegaria pela porta de emergência com um extintor de incêndio divino era grande e bem difundida, e não tardaram a aparecer os candidatos. Houveram vários, mas um em especial se salientou em relação aos demais, por efetivamente ter juntado seguidores (os outros não levaram a nada). Seu nome era Jesus de Nazaré.
Se ele nasceu de uma virgem, se ele era realmente filho de um ente superior, se ele realizou milagres (puxa, imagina transformar água em vinho!), enfim, se o que falam dele é verdade, isso não me compete concluir. Muitos falam a favor e muitos contra, mas o que ninguém pode negar é a sua mensagem. Apesar de ter sido morto como um perigo para a ordem pública, por que nenhum governante é bobo de deixar vivo alguém que boa parte do povo considera como sendo aquele que vai acabar com o domínio daquele que boa parte do povo considera como sendo um tirano sem escrúpulos, sua mensagem de paz era simples e verdadeira: fazer o bem sem olhar pra quem, como uma parenta minha falava. Suas lições de altruísmo e bondade precederam Gandhi em uns dois mil anos, e de alguma forma ele conseguiu convencer bastante gente disso, apesar do atraso da época.
O Natal é a época em que todos nós devemos parar e pensar no que aquele fulano falou, e no que muitos depois dele falaram também. É uma época para repensarmos nosso conceitos de moral e de ética, e de repensarmos nossa vida como um todo. Se estamos fazendo tudo o que poderíamos fazer, se estamos fazendo algo que seria melhor que não fizéssemos, essas coisas. Pelo certo deveríamos fazer isso todos os dias, a todo momento, mas temos o costume de não apreciar a beleza de um jardim sem especular sobre as fadas que nele se escondem. Acho, pessoalmente, que a religião é um freio, mas acho também que analisando impessoalmente ela traz mais benefícios do que danos. Não fosse ela, ninguém pararia para pensar na mensagem pacifista de um revolucionário milenar, e muito menos fariam as reflexões conseqüentes de pensar sobre isso.
Por essa e por outras, camaradas, façam, neste Natal, aquilo que eu digo para vocês fazerem sempre: pensar, refletir. Mas nessa data pensem especialmente no próximo, e no que vocês podem fazer para aumentar a quantidade de felicidade no mundo.
Se mais pessoas fizessem isso, acredito que a Era de Ouro de fato retornaria...
Boas Festas!
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Não é a Morte da Bezerra
O temor da morte é um dos mais antigos, e de certo modo é algo que movimenta o mundo desde sempre. Isso e a vontade de fazer sexo, mas não vem ao caso exatamente.
Medo de morrer e medo de que morra algum ente querido, ou algum querido que não seja ente(!?), nos privando de sua companhia e nos desesperando com o fato de que vê-lo novamente só em lembranças. Porém a dor da perda é superável, mas a morte não, e é por isso que eu temo a minha própria morte mais do que a morte das pessoas a minha volta: se eles morrerem, a dor vai ser grande, enorme em alguns casos, mas passa e momentos alegres voltarão; já se eu morro, não tem choro nem vela, já era. Na minha visão, é preferível uma situação de dor absurda, mas com esperança de felicidade do que uma situação de total falta de expectativa (de tristeza ou felicidade).
No caso improvável de que eu morra, sei que o mundo continua mesmo sem a minha presença. Digo improvável por que existem seis bilhões de pessoas lá fora para morrer, então por que isso aconteceria logo comigo? Pois é.
Existem pessoas que não querem morrer queimadas ou afogadas, devido o alto sofrimento envolvido no processo. Algumas gostariam de morrer dormindo, ou anestesiadas pra caramba. Eu, por outro lado, não gostaria de morrer. De fato, pretendo viver para sempre; mas como os fatos não dependem de pretensões, sei que não vai acontecer como quero. Talvez objetivando tão inalcançável objetivo eu chegue mais longe do que se pretendesse algo não absurdo, mas isso também já é questão para debate de filosofia, e não para este post deliberadamente mórbido. Viver para sempre, então, talvez não seja possível. E também não é tão certo que isso seria legal, já que em termos de tempo, eu só vivi 15 anos. Para o mundo, “todo o tempo do mundo” é a eternidade, mas para mim isso por enquanto dura 15 anos. Essa defasagem de perspectivas certamente leva a julgamentos errados. Concluindo essa idéia, viver na eternidade mesmo que possível, talvez não seja uma boa idéia. Vai saber.
Deixada de lado então a imortalidade, e visto que uma vida que acaba tem um fim (por definição, algo “que acaba”, é por que tem um fim, Ana Maria Braga!), se eu pudesse escolher como eu esticaria as pernas eu escolheria fazê-lo fazendo algo que eu goste. Ou que eu goste na época que tal coisa acontecer. Lendo, caminhando, sentado pensando... Simplesmente do nada meu coração parar e eu fechar os olhos como se fosse tirar mais uma soneca. Afinal, “o sono é uma morte incompleta; a morte é o sono perfeito”.
Em outras palavras, uma morte tranqüila, de causas naturais. Da mesma forma que todo mundo morreria se não existissem as armas e o fast-food.
A época da morte é ainda mais difícil de escolher. Contanto que demore bastante, a morte seria bem vinda apenas depois do momento que eu já não sou independente para viver. Minha cabeça acho que vai ser boa até a hora da morte, então talvez eu vou estar apenas com o hardware avariado. Concluo então que não existe conclusão para isso. Estar lúcido é o suficiente para ser feliz? Cabe a cada um responder, eu acho.
Comigo já morto, não sei se faz algum sentido eu dizer como gostaria que fosse o meu enterro. A minha atual crença (ou mais apropriadamente “falta de”) é uma visão material e racional da vida, segundo o qual a vida acaba quando as funções cerebrais acabam. Nenhuma alma ou espírito para supervisionar o que os meus amigos e parentes fariam com o meu corpo defunto.
Mas, ora bolas, se as coisas fizessem sentido em tempo integral a vida seria uma sucessão de chatices previsíveis. Como não é o caso, então o que na verdade não faz sentido é eu deixar de dizer como eu gostaria que fosse o meu enterro só por que tal emissão de opinião não vai na prática me dizer respeito. Então lá vai.
Fugindo do lugar-comum de dizer que eu quero um enterro feliz, com música e dança, eu quero um enterro onde todos estejam chorando a cântaros por minha partida. Me reservo o direito a esse egoísmo último. Quero morrer amado e admirado, e quero que as pessoas expressem isso. De preferência em vida, mas se não for possível que o façam no meu velório.
Na parte religiosa, não faço questão que tenha um padre ou pastor abençoando o meu “invólucro sagrado” vazio. O que vai acontecer é que meus parentes vão acabar chamando um, e se isso os confortarem, tanto melhor. Todos nós temos direito a essa irracionalidade em um momento difícil como o que descrevo. Eu, pessoalmente, penso seriamente em pedir apostasia da igreja, se isso não me custar dinheiro ou um preconceito muito forte. Se eu estiver errado, me entendo com o Monstro do Espaguete Voador depois. A possibilidade de que tudo o que sabemos está errado é sempre uma possibilidade; não trabalhar com essa idéia é demonstrar ignorância tanto quanto quem nem quer saber das outras possibilidades.
De qualquer modo, eu também pretendo (por todo o tempo que pretendo viver) ser uma pessoa boa, e isso, espero, talvez me redima do pecado de acreditar no que atualmente me parece mais acreditável.
A morte é um tema bastante difícil de esgotar. Mas não é de todo triste, pois faz parte da vida e nos impulsiona no sentido de continuar vivendo cada dia como se ele fosse o último. E esse é o nosso objetivo, não?
Abraço!