Caras, estou começando a me encher do ócio. Me matriculei em uma escola de música, para aprender a tocar piano, e a semana ficou longa demais, demora demais para chegar o dia do curso. Se fosse em qualquer outra época eu provavelmente nem notaria a semana passar, talvez esquecesse de ir no curso, mas nas férias isso não é possível. Estou empolgado com o curso, e isso fica ainda mais em evidência por eu não ter mais nada (ou quase nada) com o que ficar empolgado.
Vendo o professor tocar, acabei por finalizar um processo de mudança de conceito que já vinha tomando espaço na minha cabeça desde que eu me aproximei mais da música. Agora eu sei que não quero apenas saber tocar, mas quero saber usar o instrumento como se fosse uma mera extensão da minha vontade, com o intuito único e grandioso de não apenas me aprazer com a música, mas me aprazer com o fato de que eu que estou produzindo os sons que estão agradando os meus ouvidos.
Digo isso para sentirem o quanto estou sem nada com o que pensar. Quando um cara sério como eu (?) tem tempo para pensar e conseguir entender as próprias emoções a ponto de expressa-las tão poeticamente como eu fiz no parágrafo anterior, é por que a situação ta preta mesmo. Isso pode não ser uma regra geral, até por que regras gerais não existem, tudo é uma grande exceção (viram? Poetizando tudo...), mas se aplica a mim no momento.
Eu estava esses dias, em um desses dias calorentos e bafentos que foram cometidos aqui (sim, “foram cometidos”, por que dias como aqueles devem ser considerados crimes, não meros acontecimentos banais), e fui pra cozinha tomar água, como tenho feito alguns milhares de vezes ultimamente. Peguei a garrafinha com o líquido que, mesmo sem ter gosto, em um dia como aquele agradava tanto o paladar quanto uma galinha escabelada (requeijão no fundo, seguido de uma camada de galinha, uma de queijo para tampar a galinha e uma de batata palha, para terminar o prato e justificar o nome pouco ortodoxo) o agradava em uma gelada noite de sexta no inverno, e me parei em frente à janela da cozinha que dá para o quintal dos fundos. Primeiramente, estranhei alguma coisa, mas não tinha certeza do que era. Então parei para analisar as coisas: o céu estava um pouco maior do que de costume. Sim, eu sei que o céu tem sempre o mesmo tamanho, mas visto da janela da minha cozinha, o azul do céu não é tão significante quanto seria de esperar de algo que cobre (do lado de fora da casa), metade da visão, do horizonte pra cima.
Mais alguns milissegundos de observação e notei a causa de tamanha algazarra no setor de novidades do cérebro: uma árvore foi cortada no vizinho de trás, e onde estava antes o verde das folhas agora encontravam-se outras coisas, desde o azul do céu, que me chamou a atenção no início, até casas, lá longe, no morro, que eu nunca tinha visto por esse ângulo.
Nada demais, com certeza. Eu nem iria me lembrar disso, não fosse por ter o blog, que abre portas para novas reflexões no dia-a-dia mais do que muitas outras coisas. Mas mesmo que eu não tivesse esse tino para coisas insignificantes, o “susto” de ver azul além do normal não seria evitado. Por que quando uma pessoa passa quinze anos indo até a janela da cozinha para tomar água e pensar em coisas corriqueiras e se acostuma a ver uma árvore, a escutar os passarinhos nela, e uma vez ou outra, ver os maconheiros fumando coisas no telhado parcialmente escondido pela árvore, e do nada tudo isso vira lembrança, não é uma coisa que possa passar despercebida pela mais insensível das criaturas. Ainda mais quando os quinze anos em questão são a vida toda da pessoa.
Isso porque o cérebro humano é altamente condicionável. O costume é muito importante, neuralmente falando. Quando do tipo bom, nos faz fazer atividades naturalmente, sem o esforço do pensamento. Quando do tipo ruim, nos faz não perceber certas coisas. Quebra-lo estimula sinapses neurais e evita o Alzheimer, e no fim deixa o cérebro mais saudável.
Essa capacidade de mudar as lembranças já guardadas, isto é, a capacidade de assimilar que uma árvore foi cortada e em seu lugar agora há uma visão mais ampla, está por trás de grandes e importantes características dos seres humanos. É isso que possibilita a nós: aprender a tocar piano, aprender novas línguas, lembrar do número novo do celular de um amigo, e várias outras, das quais “poder ficar tão inteligente quanto qualquer um, não importa o que os genes digam” não é a mais importante.
A aprendizagem modifica-nos, melhora-nos, nos faz diminuir um pouco o abismo que nos separa do que quer que seja para o qual temos potencial. Não importa a situação, nós nos acostumamos a ela, e logo ela nos é natural mais uma vez. O cérebro é novidadeiro, gente.
Este tipo de visão sobre nós, quer dizer, analisar o bicho homem como um animal não diferente dos outros, pode parecer triste para alguns, por desmistificar um pouco a idéia de que o homem é importante. Não é importante não, só somos uma mera ameba vivendo nas encostas suaves de um grão de areia, e esse grão de areia está numa praia gigante, situada em um mundo maior ainda. E essa é ainda uma visão otimista das coisas. Por que na verdade uma visão da verdade, uma perspectiva real da importância da gente no cosmo, não nos cabe. Nossas mentes fracas, que foram produzidas em um mundo de coisas médias, que passaram por eventos históricos aparentemente grandiosos, e que chegaram aos dias atuais com essa idéia fixa de importância, não foram feitas para entender o Tudo. Não foram feitas para terem perspectivas reais sobre algo. Uma “prova” disso, se é que me é permitido chamar assim, é que mesmo que saibamos que é o que acontece, somos naturalmente compelidos a rejeitar a idéia de que uma pluma e uma bola de chumbo caem com a mesma velocidade no vácuo. Isso por que nós não nascemos no vácuo, e onde nascemos uma pluma, quando cai, e se cai, cai muito vagarosamente. A bola de chumbo não, não interessa o vento, ela cai tão rápido quanto pode e, não raro, esmaga o nosso dedão.
Mas enfim, o fato de não sermos nada mais que um amontoado de moléculas orgânicas, que, por sobreposição de complexos mecanismos, e sobreposição de sobreposições de complexos mecanismos, pensam que pensam, diminui o fascínio que temos que ter por estarmos aqui levantando essas questões? Eu acho que não.
Essa é a mensagem que tenho hoje: a complexidade do universo, a nossa complexidade, isso tudo é fascinante, por ser o que é. Todos fariam bem em ver isso, e experimentariam de momentos agradáveis e sublimes de reflexões sobre isso tudo se o fizessem.
De qualquer modo, deixo aqui o meu pedido de desculpas por mais esse post longo (isso se alguém de fato chegar tão longe para ler esse pedido de desculpas), mas é que meus dedos são cada vez menos domesticáveis.
Um abraço a todos!
“Não hesitaria um segundo em trocar o maravilhamento da ignorância pelo maravilhamento da compreensão” – Douglas Adams
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
De qualquer modo, você não perde muito tempo.
"Então, alguma idéia pra hoje?"
"Na verdade, não."
"É, foi o que eu imaginei."
E todos foram felizes pra sempre e fim.
"Na verdade, não."
"É, foi o que eu imaginei."
E todos foram felizes pra sempre e fim.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Post Cultural
Cultura era o que estava faltando em um blog que leva a minha assinatura. Blogueiros de todos os tipos tem isso em comum: fazer com que o blog tenha sua cara. E seria impossível que o meu blog tivesse a minha cara sem que tivesse alguns posts sobre cultura. A cultura de verdade (literatura, cinema, música, diversão), além da já familiar cultura pop, tão presente aqui, nas diversas reflexões que eu meto entre uma piadinha mal-sucedida e outra.
Por que eu, do alto da minha falsa modéstia de mentira, não poderia fazer de conta que eu não gosto de cultura. Todas elas. Ta certo que abomino a banda Calipso, torço o nariz para best-sellers e tenho igual pé atrás com filmes superproduzidos, mas no geral, sou bem eclético e respeito razoavelmente as diferenças entre um estilo e outro. Então, o que eu quero dizer com essa introdução desconjuntada, é que a cultura faz parte da minha vida, e de mim, e portanto eu não posso ter um blog sem que ela faça parte dele também, e não posso perder a chance de espalhar um pouco bons memes, mesmo sabendo que quem de fato vem ler isso aqui já deve estar, em maior ou menor grau, infectado pelo gosto do conhecimento, da cultura, da inteligência.
Como post cultural inaugural, hoje eu vou deixar minha opinião sobre alguns filmes que olhei nas férias. Aguardem para breve (ou não), post sobre livros, sobre jogos de computador, talvez um sobre música e outros sobre os assuntos culturais que me vierem na telha, quando eu não tiver causos como o do ônibus para contar ou uma opinião polêmica que eu tenha para discretamente compartilhar com vocês.
Hancock
Bem diferente dos demais filmes sobre super-herois. A idéia de um super-heroi (com essa reforma, como afinal se escreve super herói?) bêbado, que voa bêbado, e que causa furos gigantescos no orçamento do governo é uma coisa que ocorre a poucos de nós. A idéia do orçamento furado pode nos atingir quando vemos o super homem tocando um prédio em cima do vilão, mas só quando temos um senso crítico um pouco acima da média. Os efeitos especiais são ótimos, bem reais mesmo, e nos extras do DVD pode-se ver o quanto a tecnologia está no cinema: inventaram uma máquina, meio que uma esfera, e o ator fica dentro dela, fazendo as expressões que o diretor pedir; então, de vários pontos diferentes da máquina começam flashes e fotos (uma de cada vez, mas extremamente rápido), para ver perfeitamente como a pele do rosto reage com a luz. Segundo um dos carinhas que trabalha com isso, a pele não só reflete a luz, como também a refrata e a desvia, algo assim, que no mais quer dizer que não é brincadeira de criança fazer um rosto que pareça real no computador, mas que com aquela máquina isso pode ficar bem mais fácil.
Tecnologias à parte, eu sempre gosto dos filmes em que o Will Smith trabalha, e a moral desse filme é bem boa. Não posso dizer com certeza se as atuações são verossímeis, por que não sou a pessoa mais sensível do mundo para isso, mas posso dizer que se o filme não é ótimo nesse quesito, ele engana bem.
O Dia em que a Terra Parou
Os efeitos especiais desse são mais impressionantes do que os do Hancock, beeem mais, só que no resto deixa a desejar. A idéia é ótima, uma raça alienígena manda um representante para falar com os líderes mundiais sobre salvar a Terra. Mas é só isso. As demais surpresas durante o filme são derivações dessa idéia base. Comentei com alguns amigos que esse filme ficaria ótimo como um conto, ou uma noveleta, mas como filme... não foi tão feliz. Poderiam ter explorado mais o lado ficção científica do filme, que não teria ficado pesado.
Uma coisa que notei com esse filme, é que o Keanu Reeves de fato não é tão bom ator assim. Eu achei ótima a atuação dele no Matrix e nesse filme agora, por que aquela cara de nada dele combina com os papéis. Mas aquilo não atuação, é ele mesmo. Por isso que tantos falam mal dele. Não vou apedreja-lo, mas preferia o Christian Bale pra esse papel, como para qualquer papel dele.
Vale a pena assistir pelos efeitos, e por que a idéia é bem forte, o tipo que faz amantes de FC se emocionarem. Se tu não se propor a achar as falhas que apontei, você vai gostar bastante do filme.
Quebrando a Banca
Não é tão novo quanto os outros dois, mas ainda assim é recente. O que deixa a história de alunos gênios do MIT que usam a matemática para se dar bem no blackjack ainda mais fascinante, é que ela é real. O jeito que eles fazem para ganhar dinheiro existe e funciona, e de fato os cassinos não gostam disso. E amo de paixão filmes como esse, que fazem pensar sem ter lição de moral. Outros nesse rol são Número 23, Uma mente Brilhante e um que deu há poucos dias de madrugada na Globo, Kinsey: vamos falar de sexo.
Não há muito o que dizer desse filme. Nota dez, com nota extra se você for alguém que gosta de matemática tanto quanto eu. Se não gosta, depois de olhar esse filme talvez goste. Se não gostar de matemática depois de olhar o filme, provavelmente vai estar apaixonado por jogos de baralho.
Well, me estendi demais com esse post. Esse é um assunto tão simples de falar, e tão extenso! Com apenas três filmes, eu já excedi o tanto que eu escrevo em cada post. Se continuar, metade dos que me visitarem não vão ler metade desse post. Então por hoje é só.
Abraço!
Por que eu, do alto da minha falsa modéstia de mentira, não poderia fazer de conta que eu não gosto de cultura. Todas elas. Ta certo que abomino a banda Calipso, torço o nariz para best-sellers e tenho igual pé atrás com filmes superproduzidos, mas no geral, sou bem eclético e respeito razoavelmente as diferenças entre um estilo e outro. Então, o que eu quero dizer com essa introdução desconjuntada, é que a cultura faz parte da minha vida, e de mim, e portanto eu não posso ter um blog sem que ela faça parte dele também, e não posso perder a chance de espalhar um pouco bons memes, mesmo sabendo que quem de fato vem ler isso aqui já deve estar, em maior ou menor grau, infectado pelo gosto do conhecimento, da cultura, da inteligência.
Como post cultural inaugural, hoje eu vou deixar minha opinião sobre alguns filmes que olhei nas férias. Aguardem para breve (ou não), post sobre livros, sobre jogos de computador, talvez um sobre música e outros sobre os assuntos culturais que me vierem na telha, quando eu não tiver causos como o do ônibus para contar ou uma opinião polêmica que eu tenha para discretamente compartilhar com vocês.
Hancock
Bem diferente dos demais filmes sobre super-herois. A idéia de um super-heroi (com essa reforma, como afinal se escreve super herói?) bêbado, que voa bêbado, e que causa furos gigantescos no orçamento do governo é uma coisa que ocorre a poucos de nós. A idéia do orçamento furado pode nos atingir quando vemos o super homem tocando um prédio em cima do vilão, mas só quando temos um senso crítico um pouco acima da média. Os efeitos especiais são ótimos, bem reais mesmo, e nos extras do DVD pode-se ver o quanto a tecnologia está no cinema: inventaram uma máquina, meio que uma esfera, e o ator fica dentro dela, fazendo as expressões que o diretor pedir; então, de vários pontos diferentes da máquina começam flashes e fotos (uma de cada vez, mas extremamente rápido), para ver perfeitamente como a pele do rosto reage com a luz. Segundo um dos carinhas que trabalha com isso, a pele não só reflete a luz, como também a refrata e a desvia, algo assim, que no mais quer dizer que não é brincadeira de criança fazer um rosto que pareça real no computador, mas que com aquela máquina isso pode ficar bem mais fácil.
Tecnologias à parte, eu sempre gosto dos filmes em que o Will Smith trabalha, e a moral desse filme é bem boa. Não posso dizer com certeza se as atuações são verossímeis, por que não sou a pessoa mais sensível do mundo para isso, mas posso dizer que se o filme não é ótimo nesse quesito, ele engana bem.
O Dia em que a Terra Parou
Os efeitos especiais desse são mais impressionantes do que os do Hancock, beeem mais, só que no resto deixa a desejar. A idéia é ótima, uma raça alienígena manda um representante para falar com os líderes mundiais sobre salvar a Terra. Mas é só isso. As demais surpresas durante o filme são derivações dessa idéia base. Comentei com alguns amigos que esse filme ficaria ótimo como um conto, ou uma noveleta, mas como filme... não foi tão feliz. Poderiam ter explorado mais o lado ficção científica do filme, que não teria ficado pesado.
Uma coisa que notei com esse filme, é que o Keanu Reeves de fato não é tão bom ator assim. Eu achei ótima a atuação dele no Matrix e nesse filme agora, por que aquela cara de nada dele combina com os papéis. Mas aquilo não atuação, é ele mesmo. Por isso que tantos falam mal dele. Não vou apedreja-lo, mas preferia o Christian Bale pra esse papel, como para qualquer papel dele.
Vale a pena assistir pelos efeitos, e por que a idéia é bem forte, o tipo que faz amantes de FC se emocionarem. Se tu não se propor a achar as falhas que apontei, você vai gostar bastante do filme.
Quebrando a Banca
Não é tão novo quanto os outros dois, mas ainda assim é recente. O que deixa a história de alunos gênios do MIT que usam a matemática para se dar bem no blackjack ainda mais fascinante, é que ela é real. O jeito que eles fazem para ganhar dinheiro existe e funciona, e de fato os cassinos não gostam disso. E amo de paixão filmes como esse, que fazem pensar sem ter lição de moral. Outros nesse rol são Número 23, Uma mente Brilhante e um que deu há poucos dias de madrugada na Globo, Kinsey: vamos falar de sexo.
Não há muito o que dizer desse filme. Nota dez, com nota extra se você for alguém que gosta de matemática tanto quanto eu. Se não gosta, depois de olhar esse filme talvez goste. Se não gostar de matemática depois de olhar o filme, provavelmente vai estar apaixonado por jogos de baralho.
Well, me estendi demais com esse post. Esse é um assunto tão simples de falar, e tão extenso! Com apenas três filmes, eu já excedi o tanto que eu escrevo em cada post. Se continuar, metade dos que me visitarem não vão ler metade desse post. Então por hoje é só.
Abraço!
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Chamem o Greenpeace
“Ah, ócio!
Me crias bócio
Queria a última flor do lácio
Mas eu não posso
Que fracasso.”
Para citar um amigo poeta e minha atual situação. Toda a ação no orkut ainda é insuficiente para acalentar o meu espírito entediado. Não é possível que todos estejam desfrutando da praia, ou em algum lugar sem internet, ou seqüestrados pelas Farc, mas as vezes é isso mesmo que eu penso, dada a situação vazia do orkut e, não por acaso, da minha agenda. O ano passado me viciou em tarefas, em ocupações. Não sabia que isso iria continuar mesmo durante as férias. Pensei que não, que eu ia passar o tempo todo estirado na cama descansando os neurônios pro próximo round na escola, mas se o faço não é por cansaço, e sim por pura falta de algo melhor para fazer.
No início da semana fui lá eu pra minha dinda, passar o tempo, abstrair um pouco dessa minha rotinazinha mixuruca. Funcionou.
No caminho pra lá, especificamente no ônibus, entrou uma senhora calibre 2362 mais ou menos, que, como as leis da física e do olhômetro de qualquer um preveriam, entalou na roleta da passagem. Na hora do ocorrido eu estava distraído, olhando pela janela e pensando na diferença entre os liberais e os conservadores, que um amigo meu me ensinou pelo MSN, e só voltei à superfície do planeta Terra por que ouvi uma onda de risos indo desde perto do motorista até o fundão do ônibus.
Então, eis os pensamentos que me ocorreram nos segundos seguintes a eu notar a tia gorda presa lá na frente: “Ah, não, seis bilhões de pessoas no mundo e isso tem que acontecer no ônibus que eu estou usando!”, “Coisa triste isso acontecer com essa mulher, aposto que ela nunca mais vai no McDonalds depois dessa!”, e o último pensamento antes dos segundos que eu falei acabarem “Que falta de respeito dessa gentalha (gentalha!, gentalha!, pffff) rir dela... Pobre é bucha”.
Depois dos pensamentos, parei pra avaliar melhor a situação. A porta estava perto, então qualquer emergência (baleias encalhadas explodem por causa dos gases dentro do corpo, certo? Se não, o cheiro delas apodrecendo deve ser tão ruim quanto) era só escapulir por ela, nem que tivesse que abri-la a dentadas.
A mulher lá na frente tentava de todo jeito se mexer e nada, ela tinha se trancado de vez naquilo lá. Passados os cinco minutos iniciais de deslumbramento com a novidade, a pobraiada passou a parar de rir e lembrar do que o pastor falou-lhes na missa do final-de-semana, aquele papo de ter compaixão pelos menos afortunados e tal. Mais cinco minutos e eles notaram que no momento a senhora gorda (imensa!) era a pessoa menos afortunada da hora, e puseram-se a ajudar. Dois homens foram ajuda-la a se acalmar (um deles estava ajudando desde o início); uma moça estendeu uma água pra tia agonizante, pois essa última apresentava uma insalubre cor avermelhada, e não sabia-se ainda se era só de vergonha ou se ela estava sufocando mesmo; e o resto do pessoal “ajudou” dando a sua própria opinião. Todos ao mesmo tempo. Parecia reunião de família, todo mundo falando, cortando o assunto dos outros, discutindo a morte da bezerra e de quem ia ficar com a herança, essas coisas. Eu captei alguns dos discursos, e um deles até deu uma boa idéia para remover a coitada. Foi lá e passou-lhe a idéia e os votos de melhora de todos os passageiros que conseguiram cutucar ele para que ele passasse a mensagem. A idéia era a seguinte: ela mesma se segurar nos ferros de cima e se içar, para conseguir girar um pouco a roleta, e pôr fim ao seu sofrimento.
Mas não deu certo. Ela não se mexia de jeito nenhum. Nem pra frente, nem pra trás, nem pra cima, nem pros lados, nem diagonal direita superior, nada. Como não surgiam idéias melhores, todos (ao mesmo tempo ainda), começaram a fazer críticas de tudo, do transporte público, do governo, do Seu Norberto que saiu do BBB, do cobrador imbecil que “não sei como não viu que uma senhora daquele tamanho não passaria na roleta!”, esse tipo de reclamação.
E eu quietinho ali no meu canto. Só observando. Pensando que apesar do sufoco eu ia ter finalmente assunto pro blog. Para pelo menos uns parágrafos de um post. Desgraça de uns, alegria de outros, totalmente justificável. Quando chegou na minha parada, desci faceiro por deixar pra trás aquela situação. Entraram pessoas pelo lado que eu saí, por que lá na frente não cabiam mais seres viventes (sim, o motorista continuava pegando passageiros, por que, oras, não é qualquer coisinha que vai deixar de movimentar a roda capitalista, né).
Pelo que eu escutei antes de sair, eles iriam até o fim da linha e de lá pra garagem desmontar a roleta e retirar os restos mortais da tia. Se fosse circular, acho que iam rodar com ela lá até de noite, para só então tira-la. Suponho que ela passa bem, ela tinha pelo menos bastante reservas para o inverno.
Então, pessoal, é por isso que é importante comer devagar e ter uma dieta balanceada, fazer bastante exercícios físicos. Isso, e ter dinheiro e um carro para não precisar andar de ônibus.
Abraço!
Me crias bócio
Queria a última flor do lácio
Mas eu não posso
Que fracasso.”
Para citar um amigo poeta e minha atual situação. Toda a ação no orkut ainda é insuficiente para acalentar o meu espírito entediado. Não é possível que todos estejam desfrutando da praia, ou em algum lugar sem internet, ou seqüestrados pelas Farc, mas as vezes é isso mesmo que eu penso, dada a situação vazia do orkut e, não por acaso, da minha agenda. O ano passado me viciou em tarefas, em ocupações. Não sabia que isso iria continuar mesmo durante as férias. Pensei que não, que eu ia passar o tempo todo estirado na cama descansando os neurônios pro próximo round na escola, mas se o faço não é por cansaço, e sim por pura falta de algo melhor para fazer.
No início da semana fui lá eu pra minha dinda, passar o tempo, abstrair um pouco dessa minha rotinazinha mixuruca. Funcionou.
No caminho pra lá, especificamente no ônibus, entrou uma senhora calibre 2362 mais ou menos, que, como as leis da física e do olhômetro de qualquer um preveriam, entalou na roleta da passagem. Na hora do ocorrido eu estava distraído, olhando pela janela e pensando na diferença entre os liberais e os conservadores, que um amigo meu me ensinou pelo MSN, e só voltei à superfície do planeta Terra por que ouvi uma onda de risos indo desde perto do motorista até o fundão do ônibus.
Então, eis os pensamentos que me ocorreram nos segundos seguintes a eu notar a tia gorda presa lá na frente: “Ah, não, seis bilhões de pessoas no mundo e isso tem que acontecer no ônibus que eu estou usando!”, “Coisa triste isso acontecer com essa mulher, aposto que ela nunca mais vai no McDonalds depois dessa!”, e o último pensamento antes dos segundos que eu falei acabarem “Que falta de respeito dessa gentalha (gentalha!, gentalha!, pffff) rir dela... Pobre é bucha”.
Depois dos pensamentos, parei pra avaliar melhor a situação. A porta estava perto, então qualquer emergência (baleias encalhadas explodem por causa dos gases dentro do corpo, certo? Se não, o cheiro delas apodrecendo deve ser tão ruim quanto) era só escapulir por ela, nem que tivesse que abri-la a dentadas.
A mulher lá na frente tentava de todo jeito se mexer e nada, ela tinha se trancado de vez naquilo lá. Passados os cinco minutos iniciais de deslumbramento com a novidade, a pobraiada passou a parar de rir e lembrar do que o pastor falou-lhes na missa do final-de-semana, aquele papo de ter compaixão pelos menos afortunados e tal. Mais cinco minutos e eles notaram que no momento a senhora gorda (imensa!) era a pessoa menos afortunada da hora, e puseram-se a ajudar. Dois homens foram ajuda-la a se acalmar (um deles estava ajudando desde o início); uma moça estendeu uma água pra tia agonizante, pois essa última apresentava uma insalubre cor avermelhada, e não sabia-se ainda se era só de vergonha ou se ela estava sufocando mesmo; e o resto do pessoal “ajudou” dando a sua própria opinião. Todos ao mesmo tempo. Parecia reunião de família, todo mundo falando, cortando o assunto dos outros, discutindo a morte da bezerra e de quem ia ficar com a herança, essas coisas. Eu captei alguns dos discursos, e um deles até deu uma boa idéia para remover a coitada. Foi lá e passou-lhe a idéia e os votos de melhora de todos os passageiros que conseguiram cutucar ele para que ele passasse a mensagem. A idéia era a seguinte: ela mesma se segurar nos ferros de cima e se içar, para conseguir girar um pouco a roleta, e pôr fim ao seu sofrimento.
Mas não deu certo. Ela não se mexia de jeito nenhum. Nem pra frente, nem pra trás, nem pra cima, nem pros lados, nem diagonal direita superior, nada. Como não surgiam idéias melhores, todos (ao mesmo tempo ainda), começaram a fazer críticas de tudo, do transporte público, do governo, do Seu Norberto que saiu do BBB, do cobrador imbecil que “não sei como não viu que uma senhora daquele tamanho não passaria na roleta!”, esse tipo de reclamação.
E eu quietinho ali no meu canto. Só observando. Pensando que apesar do sufoco eu ia ter finalmente assunto pro blog. Para pelo menos uns parágrafos de um post. Desgraça de uns, alegria de outros, totalmente justificável. Quando chegou na minha parada, desci faceiro por deixar pra trás aquela situação. Entraram pessoas pelo lado que eu saí, por que lá na frente não cabiam mais seres viventes (sim, o motorista continuava pegando passageiros, por que, oras, não é qualquer coisinha que vai deixar de movimentar a roda capitalista, né).
Pelo que eu escutei antes de sair, eles iriam até o fim da linha e de lá pra garagem desmontar a roleta e retirar os restos mortais da tia. Se fosse circular, acho que iam rodar com ela lá até de noite, para só então tira-la. Suponho que ela passa bem, ela tinha pelo menos bastante reservas para o inverno.
Então, pessoal, é por isso que é importante comer devagar e ter uma dieta balanceada, fazer bastante exercícios físicos. Isso, e ter dinheiro e um carro para não precisar andar de ônibus.
Abraço!
domingo, 25 de janeiro de 2009
Marcus, e o mundo dos Quem
É que eu quase não gosto de férias, né. A minha imersão na preguiça é tanta, que não foram poucas as vezes em que eu estive totalmente desorientado quanto ao dia da semana, que dirá, do mês. É bom demais essa ausência de preocupações, que me desprende perigosamente da realidade. Mais um pouco e vou estar quase ficando com saudade da rotina normal.
Enquanto a saudade não chega, eu estou aproveitando o meu ócio. Li a série Crepúsculo tão rápido quanto a minha voracidade desejou em seus sonhos mais obscuros; fiz tudo o que eu tinha pra fazer na internet, e estou agora sem mais nada pra fazer; estou dormindo em média dez horas por dia, com toda a consciência de que isso é bastante prejudicial a minha saúde; e a pilha de livros que eu arrumei durante o ano para ler agora já está pela metade, restando apenas aqueles que a capa não é lá essas coisas de atrativa. Agora, de fato, estou clamando por uma atividade útil.
Tanto ócio me permite fazer várias reflexões importantes, imprescindíveis para o bem estar da humanidade. Por exemplo, a pouco pude comprovar através de uma experiência bastante simples e por demais espontânea, que micróbios são verdade, e não algo que os fabricantes de latas hermeticamente fechadas querem que você acredite que exista.
Desde a metade do ano passado eu tomei uma atitude saudável quanto a água, bebendo o máximo que eu consigo todos os dias. Acabei tomando uma garrafinha de meio litro como meu xodó, a predileta, e passei a sempre tomar nela, no bico. Por mais que eu escove meus dentes, vocês sabem, nem eu sou perfeito, não consigo deixar minha boca imaculadamente limpa (risos). O resultado é que através do tempo, e de um asseio sumário com a garrafa que recebia meus germes bucais todo santo dia, acabou que se formou, no bocal dessa garrafa, uma colônia de bactérias. Elas seguiam o humanismo e eram altamente avançadas, tendo noções de arquitetura e uma religião que via a origem do universo no palato mole de um adolescente e achavam que o fim do mundo viria em uma era que eles chamavam de “A Chegada da Água Fervendo”. Tive que cometer uma espécie de genocídio, assassinando todos os germes a sangue frio e água quente, antes que eles me assassinassem (uau, quanto S numa palavra só).
Esse tipo de coisa (está no rol das reflexões sobre as baratas que fiz um post atrás), me mostra que minha cabeça não foi feita para períodos tão longos de calmaria, embora eu sei que ela aguenta muito bem mais umas duas ou três semanas antes de começar a falhar e ter alucinações e querer sair na rua pelado em protesto contra recessos escolares tão longos. Já me vejo rearrumando o quarto de forma diferente, mudando a ordem no banho (xampu-sabonete-escove-de-dentes, ou dentes-sabonete-escova-xampu-de?), fazendo palavras cruzadas ou aprendendo a escrever com a mão sinistra. Esse tipo de coisa me mantem ocupado quando mais nada parece capaz e, não bastasse isso, também previne o Alzheimer.
Não tenho nenhum motivo para postar hoje. Não que tenha motivo para postar alguma vez, em algum dia, mas hoje especialmente eu o faço apenas para silenciar minha mente, que não calaria a boca se eu não fizesse. Antes de dar crujcrujtchau eu ainda gostaria de chamar a atenção dos caríssimos e caríssimas para esse novo esquema do BlogSpot, que é ser seguidor de blogs. Não peço que vocês tenham parte em minhas opiniões religiosas e aspirações narcisistas virando seguidor (ou seguidora, eta linguazinha machista que é o português) daqui, mas se você gosta de ler as minhas linhas enquanto eu escrevo sobre essas coisas e outras coisas como bactérias na minha garrafa, então o certo a fazer é clicar ali. Isso vai inflar meu ego, e tornará muito mais prático para vocês saberem quando vir atrás de novidades aqui.
Enfim, abraços!
Enquanto a saudade não chega, eu estou aproveitando o meu ócio. Li a série Crepúsculo tão rápido quanto a minha voracidade desejou em seus sonhos mais obscuros; fiz tudo o que eu tinha pra fazer na internet, e estou agora sem mais nada pra fazer; estou dormindo em média dez horas por dia, com toda a consciência de que isso é bastante prejudicial a minha saúde; e a pilha de livros que eu arrumei durante o ano para ler agora já está pela metade, restando apenas aqueles que a capa não é lá essas coisas de atrativa. Agora, de fato, estou clamando por uma atividade útil.
Tanto ócio me permite fazer várias reflexões importantes, imprescindíveis para o bem estar da humanidade. Por exemplo, a pouco pude comprovar através de uma experiência bastante simples e por demais espontânea, que micróbios são verdade, e não algo que os fabricantes de latas hermeticamente fechadas querem que você acredite que exista.
Desde a metade do ano passado eu tomei uma atitude saudável quanto a água, bebendo o máximo que eu consigo todos os dias. Acabei tomando uma garrafinha de meio litro como meu xodó, a predileta, e passei a sempre tomar nela, no bico. Por mais que eu escove meus dentes, vocês sabem, nem eu sou perfeito, não consigo deixar minha boca imaculadamente limpa (risos). O resultado é que através do tempo, e de um asseio sumário com a garrafa que recebia meus germes bucais todo santo dia, acabou que se formou, no bocal dessa garrafa, uma colônia de bactérias. Elas seguiam o humanismo e eram altamente avançadas, tendo noções de arquitetura e uma religião que via a origem do universo no palato mole de um adolescente e achavam que o fim do mundo viria em uma era que eles chamavam de “A Chegada da Água Fervendo”. Tive que cometer uma espécie de genocídio, assassinando todos os germes a sangue frio e água quente, antes que eles me assassinassem (uau, quanto S numa palavra só).
Esse tipo de coisa (está no rol das reflexões sobre as baratas que fiz um post atrás), me mostra que minha cabeça não foi feita para períodos tão longos de calmaria, embora eu sei que ela aguenta muito bem mais umas duas ou três semanas antes de começar a falhar e ter alucinações e querer sair na rua pelado em protesto contra recessos escolares tão longos. Já me vejo rearrumando o quarto de forma diferente, mudando a ordem no banho (xampu-sabonete-escove-de-dentes, ou dentes-sabonete-escova-xampu-de?), fazendo palavras cruzadas ou aprendendo a escrever com a mão sinistra. Esse tipo de coisa me mantem ocupado quando mais nada parece capaz e, não bastasse isso, também previne o Alzheimer.
Não tenho nenhum motivo para postar hoje. Não que tenha motivo para postar alguma vez, em algum dia, mas hoje especialmente eu o faço apenas para silenciar minha mente, que não calaria a boca se eu não fizesse. Antes de dar crujcrujtchau eu ainda gostaria de chamar a atenção dos caríssimos e caríssimas para esse novo esquema do BlogSpot, que é ser seguidor de blogs. Não peço que vocês tenham parte em minhas opiniões religiosas e aspirações narcisistas virando seguidor (ou seguidora, eta linguazinha machista que é o português) daqui, mas se você gosta de ler as minhas linhas enquanto eu escrevo sobre essas coisas e outras coisas como bactérias na minha garrafa, então o certo a fazer é clicar ali. Isso vai inflar meu ego, e tornará muito mais prático para vocês saberem quando vir atrás de novidades aqui.
Enfim, abraços!
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