quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Mas Tchê!

Pois eu estava olhando de novo meus textos aqui no blog, relembrando alguns fatos interessantes sobre o meu passado, vendo que na verdade muitas das idéias e opiniões que tenho hoje foram se construindo gradativamente com o passar do tempo, e outras mudaram completamente... enfim, estava nesse ritmo, nostálgico, melancólico, proparoxítono, quando me dei conta: o último comentário feito aqui no blog, sem contar os comentários feitos nas últimas duas semanas (os quais, sinceramente, foram o que me lembrou que o blog existia), terminava com um abraço e um “Feliz Páscoa”. Poxa! Não lembrava que há tanto tempo não escrevia por essas bandas.
Foram tantas as mudanças de pensamento que me acometeram nesses tempos de eremita (fui eremita em relação ao blog, mas desconfio que nunca fui tão da galera e dado a festas), que não conseguiria falar sobre cada uma nem se quisesse. Oportunamente, eu não quero falar sobre cada uma, mas sim sobre uma descoberta maior que sempre me desequilibra quando estou de pé e me balança quando estou sentado, uma descoberta que tem a ver com todas as mudanças de que falei.

*Abre parênteses*
Quando falo em mudanças, provavelmente poucos pensam exatamente o que eu. Segundo o Westhelle, grande amigo meu e apaixonado por Lingüística, existe o “signo” na nossa mente, que expressamos por meio de um “significante”, que pode ser uma palavra, um gesto, um olhar, um míssil intercontinental anti-radar, enfim, que ao ser recebido por nosso interlocutor, é reconvertido na forma de signo novamente. O interessante é que o signo na nossa mente e o signo na mente do interlocutor são diferentes, embora o significante seja o mesmo.
O parágrafo anterior não explicou muito bem o que eu quis dizer. O que eu quero dizer é que uma mudança, mesmo que muito pequena, pode ser muito significativa. A menor parte de um pentelhésimo de quase nada de mudança na declividade de uma reta faz com que ela deixe de ser paralela a outra reta, sua amiga, que estava ao lado.
O parágrafo anterior também não explicou muito bem o que eu quis dizer. O fato é que eu mudei, e pronto, ok?
*Fecha parênteses*

A descoberta foi...
Bom, primeiramente, deixem-me dizer que não se preocupem nem fiquem decepcionados caso a descoberta não atinja as suas expectativas. Reservei especialmente para o meu público exigente e chato uma descoberta mais legal, que vai vir como um post scriptum. Se quiser, dá uma olhada no fim do texto e volta para cá, mas eu sugiro que continue o texto na ordem correta, como Alá disse que todos os não-infiéis devem fazer (ok, inventei essa última).
Então, a descoberta é um pouco complicada. É algo óbvio, mas que tem um algo mais na sua obviedade.
Sempre se tem algo pra aprender; não simplesmente um fato, uma informação nova, não uma relação entre objetos, não apenas uma nova forma de produzir um míssil intercontinental anti-radar. Falo de como ver as coisas, de como lidar com essa fonte inesgotável de paradoxos que é a condição humana. (essa frase resume tudo o que eu possa dizer, mas resume demais...). É como se (lá vem um exemplo do tipo tradicional: péssimo) durante a segunda guerra os cientistas de Hitler tivessem injetado tinta azul nos olhos de algum bebê para produzir nele uma característica da “pura raça ariana”, e esse bebê tivesse crescido e virado adulto. Lá pelas tantas, esse adulto de olhos azuis dá um espirro e tchum!, a tinta escapa como lágrima e ele passa a ver tudo com cores novas.
Agora imagine que possamos fazer isso inúmeras vezes, e que sempre – SEMPRE – será possível encontrar algum ponto a mudar. Sem chorar tinta, mas vendo tudo novo.
Agora, isso com certeza é óbvio, porque ou a) você já teve essa sensação ou b) você não teve essa sensação, e só vai ver que isso não é tão óbvio quando tiver.
É como passar a vida num espaço euclidiano, e descobrir que existem muitos outros espaços possíveis...

Bem, o fumo acabou.

Deixo um grande abraço, um agradecimento pra Bibiana que me fez voltar a escrever, e os votos que todos tenham um feliz Ano Novo (só para garantir).

Abraço!

PS: a outra descoberta, na verdade, é uma experiência que pode acabar com a crença que muitos tem na energia elétrica. Peguem um toca-discos, daqueles que tocam vinil, e ponham uma música para tocar. Abaixem o volume até zero ou desconectem os alto-falantes (isso pode requerer domínio de Eletrônica – ou proficiência no manejo da tesoura e, mais tarde, fita isolante). Aproximem os ouvidos da agulha que arranha o disco (um de cada vez, não creio ser possível aproximar os dois). O que se houve? A música. Exatamente como se estivesse saindo nos alto-falantes, só que porra, aquilo ali é só uma agulha arranhando um disco. Ok, parece bobo, mas no momento foi mágico.
PPS: imaginem o título sendo dito por um gaudério que encontra um amigo há muito tempo afastado.

4 comentários:

Bibiana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
C'n destours disse...

Mas bah! Fico realmente feliz de te ver de novo por aqui.

Há muito tenho sentido falta dos teus textos. Desse humor hilário nas metáforas, muitas vezes ultra nerds, que só tu faz =D

"...quase nada de mudança na declividade de uma reta faz com que ela deixe de ser paralela a outra reta, sua amiga, que estava ao lado" me tocou não sei por quê.

E eu amei o exemplo da tinta azul, bom mesmo!

Bem-vindo de volta.

Beijão!

Ana Paula disse...

Oi, Marquinhos! Nossa, fazia um tempão que eu não passava por aqui... e faz um tempão que não nos vemos, né? Mas lendo um pouquinho deu pra matar um pouco a saudade... ^^
Acho que faço parte do teu público exigente e chato, porque gostei da descoberta do toca-discos...uashaush!

Beijão!

Anônimo disse...

Véi, então os povos que fizeram aquelas cerâmicas com arranhões por toda a superfície realmente podem ter gravado alguma coisa lá. E reproduziam depois!

Não lembro qual povo e tampouco onde vi isso. Mas agora esse PS me deixou encafifado.