segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sou fã, dã.

Nunca fui muito fã de nada, quero dizer, nunca fui daqueles fanáticos xiitas que amam alguém ou algo acima de tudo, que pintam o rosto com as cores do time, que tem cartazes de bandas ou que se vestem como os ídolos da tevê se vestem. Talvez nunca fui um desses pelo medo de não ter opinião própria e, paradoxalmente, não ter opinião nenhuma. Por exemplo, eu li muitas vezes Harry Potter, todos livros da série, até chegar a saber a história de frente pra trás, de trás pra frente, da metade pra diante, enfim, mas não me sentia bem sabendo que outros 300 milhões de fãs também o faziam, de forma que quando alguém ficava sabendo que eu gostava de Harry Potter achava que eu o fazia por que era modinha.

Daí eu deixei de ser fã, até por que eu lia outras coisas, abria a mente, ao contrário de muitos fás por aí que usam aquelas coisas de cavalo que eu nunca lembro o nome, muito coerentemente, aliás. Mas daí também tive de tomar o cuidado de não entrar na modinha de “não gostar de HP”, como existem pessoas que fazem, por que, afirmam, é coisa de criança, não é literatura de verdade, “é um lixo”. A esses o mundo os rotula de pseudointelectuais, e não existe adjetivo que mais me afeta que esse, me sinto um lixo quando alguém insinua algo assim para mim, me sinto pior que o cocô do cavalo do bandido de filme B.

Ora, e aí me encontro em mais um daqueles paradoxos cotidianos em que muitos se encontram, mas poucos tem a coragem (coragem?, eu quis dizer ousadia, loucura, falta de bom senso) de comentar isso com outras pessoas, por que isso não é impessoal o suficiente, porque ao trazer esse tipo de loucura pro meio do diálogo é capaz de alguém perceber que não consegue entender o que o outro fala. E atestar a própria ignorância é algo que todos temem, inclusive eu, como dito no parágrafo anterior.

O paradoxo é o seguinte (nem tem paradoxo nenhum aí, se procurar atentamente não há uma verdade que morda o próprio rabo nem nenhuma lógica com realimentação perigosa): não tem como saber quem está com a razão em uma discussão; enquanto a outra pessoa não concorda com você, você tende a achar que essa pessoa ainda não entendeu a sua posição, e isso também pode ser abordado pelo outro lado, ou seja, você só não concordou com a pessoa com a qual está discutindo por que ainda não entendeu o ponto de vista dela. Pense em algo em que você discorda de alguém; se essa pessoa entendesse o seu ponto de vista, você acha que ela continuaria tendo uma visão diferente da Verdade?

Trazendo agora para o exemplo que eu dei, como sempre, mostrando que eu tenho uma péssima habilidade de exemplificar, e que no fundo eu só complico com as coisas (como era mesmo que o Chacrinha falava?). Existem os que gostam de Harry Potter (ou Crepúsculo), e existem os que acham que Harry Potter (ou Crepúsculo) é mau-escrito / idéia ruim / extremamente “feito para vender” / coisa de jovem / modinha. Ninguém, nunca, sob circunstancia nenhuma, no planeta Terra, ou pelo menos num Universo que tenha uma Lógica como a nossa, vai poder dizer quem desses dois grupos está certo. Os que gostam desses best-sellers dirão que os críticos não tem base o suficiente para criticar, que não sabem sobre o que estão falando, que são pseudointelectuais (deusolivre). Os que não gostam dirão que os fãs dos ditos livros bem vendidos são passivos do Sistema, que não sabem o que é um bom livro e que há algo errado nesse mundo capitalista consumista em que uma porcaria de roteiro como Crepúsculo vende.

Claro que se pode continuar avançando nessa helicóide (sempre avança em Y, passando pelos mesmos lugares em X, ou seja, aumenta a consciência mudando de lado da discussão várias vezes, no melhor estilo de “eu supunha saber que você sabia que eu pensava que você conhecia exatamente o quanto eu sabia que você tinha conhecimento sobre o que passava pela minha cabeça”), com um crítico voltando a hastear a bandeira do fanatismo, ou um fanático hasteando a bandeira da Crítica, sei lá.

Como sempre, não sei se fui tão claro quanto eu sempre pretendo ser; e não fui tão claro quanto é possível, fato. Gosto de botar as coisas como eu gosto de botá-las, e não como elas ficam melhor apreciáveis, por que esse modo nem sempre carrega o sentido que eu quero que carregue.

Para os muitos que acham que perderam cinco minutos da vida em um texto sem pernas nem cabeças (sim, no plural), uma mensagem puramente explícita (e muito mais simples que a mensagem até aqui): não leiam somente best-sellers; eles são bons, muitos são ótimos, alguns são só bons lances de mercado, mas a maioria presta; agora, se ater a eles e não ler nada além deles é no mínimo jogar fora a oportunidade de aprendizado e diversão que a vida é, com tantos livros bons a espera de serem lidos.

Um abraço!

PS: hora dessas eu escrevo sobre o que eu realmente queria escrever, e tento não sucumbir à tentação de prolongar o que era pra ser só um parêntesis na introdução, [risos].

6 comentários:

Kari disse...

Eu só não entendi uma coisa: tu gosta ou não de Crepúsculo???

Eu entendi o que tu quis dizer. De uma forma que só tu diz, mas eu entendi e até concordo.

E concordo mais ainda com isso de que não devemos só ler um tipo de livro. Há vários best-sellers que eu nunca li, mas imagino que sejam bons. Há outros que nunca tive vontade e nem me interessa saber. Há outros como, Harry Potter que eu gostei muito.

Sabe que minha autora preferida, só conhece quem gosta? Marian Keyes, irlandesa. Escreve aquelas típicas "estória de mulherzinha", que eu amo demais. E tem quem odeie e só faz criticar...

Enfim... Acho que tudo na vida acaba sendo assim, né? Uns gostam e outros não... E ninguém está certo. Ou errado.

Beijão pra tu
Estava morrendo de saudade de ler tuas coisas, sabia?
Ah! E o meu noivo, ele dá paltipe sim no casamento. Tem um item que eu escolhi só porque sei que ele gosta demais. Foi uma pequena surpresa. Apesar de quê... Ele já sabe....


Beijão pra tu

Kari disse...

Desculpa. Me empolguei!
Beijo

Antônio disse...

O nome do negócio do cavalo é viseira.

O Chacrinha dizia algo como "eu vim para confundir".

E esse texto tá putaqueparilmente complicado. De boa, penso que o respeito é a base de tudo, por mais que o gosto do outro não te agrade. Demora um pouco pra gente aprender esse tipo de coisa, mas é bom quando se consegue. Lendo teus parágrafos malucos, descobri que já fui pseudointelectual - pelo menos sob tua ótica - e hoje, felizmente, não sou mais.

Abraço!

Íris Lisbôa disse...

Boom, claro que eu tive que fazer um esforço para entender o que as tuas palavras/frases queriam dizer. Mas eu consegui, olha só, quem diria.

Bem, vou te contar que eu estou mais para os fanáticos desmiolados que não suportam que os pseudointelectuais critiquem o que eu gosto.

Porém eu não gosto só de best-sellers, e concordo com o que a Kari falou antes. E bem, o meu autor preferido é o Carlos Ruiz Zafón e só conhece quem já leu e gosta mesmo. A forma de contar uma história dele é única, e tu percebe isso a cada página.

Quanto a Crepúsculo, eu simplesmente amava no início, e depois simplesmente fiquei com nojo. Não sei se o fato de ter virar modinha me influenciou, mas né.

E realmente, não existe ninguém no mundo que possa dizer qual a opinião que está correta e muito menos qual é o impacto desses best-sellers na mente das pessoas. Cada um tem uma opinião e nem todos são tão influenciaveis. Respeito é a base de tudo.

Porém já li que Harry Potter é maligno. E que instiga as crianças, ou whatever, a praticarem o mal. Mas quem já leu os livros com certeza sabe que isso não tem nada a ver e depende mesmo é da mente da pessoa.

Bom, acho que a minha opinião ficou extensa demais e eu acabei trazendo outras coisas para a "discução".

Mas devo dizer que o teu post é bem intrigante e bota a gente pra pensar. Beijos :*

Kari disse...

Não Marquinhos, o detalhe que eu pensei pra ele não tem nada com a lua de mel... É na festa mesmo. Acabei de tentar justificar, mas tudo que tentei dizer pareceu malicioso. Mas enfim, sem malícias, eu escolhi algo que ele gosta de comer.

Mas então, eu vou dizer só pra tu, pra poder tirar essa nuvem poluida da tua mente: é uma mesa com fundie de chocolate e frutas como morango e uva. Eu adoro e sei que ele também gosta muito. Aí escolhi algo que sei que vai fazer ele aprecisar bastante!!!!!!!!!!

Beijão pra tu

Jacqueline Soares disse...

-'. Realmente um texto que só vc poderia escrever, complicado. mas acho que consegui entender sim.
Engraçado que também nunca fui fã de ninguém, nunca tive poster's no quarto de ninguém, e nem vários cd's de mais ninguém.
Eu sou do tipo que não me importo se o livro é modinha ou que ninguém o conheça, apenas leio o que gosto e acho interessante. E acho que isso que importa.

Beeeijos, gostei do teu blog!