Caríssimos, aviso de antemão que o texto que se segue a essa introdução pode ser bastante chato para pessoas que difiram muito em interesses de mim, mas depois de uma longuíssima e profundíssima reflexão nos últimos cinco minutos me decidi por escrever assim mesmo, por que lê só quem quer e se de algum modo ou outro eu contagiar alguém com minhas idéias, tanto melhor.
Então, aos trabalhos.
Minha mente é bastante inquieta, e raramente que eu consigo de fato pensar em trivialidades. No mais das poucas vezes em que penso em trivialidades, minha mente inquieta (e perturbada, segundo a visão de alguns) acaba expandindo e enfiando algum pensamento diferente no meio, ou vendo tudo de uma perspectiva nova. Isso é legal, e adoro brincar de viajar.
Não é um negócio muito simples, porque requer um grande esforço no sentido de não controlar os pensamentos. Em grau de dificuldade, está um degrau abaixo de não pensar em nada, pelo menos para mim. Pensar objetivamente é um vício, mas que com jeito pode ser contornado, nem que sejam poucas vezes e por diversão.
Stephen King, no livro Saco de Ossos, fala, através do personagem principal do livro, que o escritor é uma pessoa que ensinou a sua mente a se comportar mal. Então, ao menos sob essa definição, eu sou um escritor, hehehe.
Mas então, uma dessas viagens, alucinações, momentos vegetativos, chame como quiser, eu pensei sobre a idéia a seguir. Até nem é uma idéia, é um fato que apenas durante uma dessas deliradas que eu notei, e mais tarde em várias deliradas (nos momentos menos oportunos) que eu entendi melhor as coisas que antes havia deslumbrado.
Então, pensem em um átomo (a partir daqui, especialmente, vale o que eu falei no início dessa tortura, digo, desse texto). Ou melhor, pensem nos prótons e nêutrons que o formam, e mais a fundo, pensem nos quarks que formam os prótons e nêutrons que formam o átomo que eu falei. Pois então, os quarks, insensíveis que são, não estão nem aí para aquilo que estão formando. Para eles não interessam os nêutrons e prótons, o que lhes apraz é viverem em pares ou trios (pesquisem sobre isso para saber mais). Isso por que as forças de atração e repulsão que existem entre essas tais partículas é de tal forma que inevitavelmente elas iriam “querer” formar pares e trios.
Mais acima no nível de compreensão, estão então os nêutrons e os prótons e também os elétrons, que não citei anteriormente. Os quarks dentro deles estão de tal forma unidos que nem lembramos mais que cada nêutron e cada próton tem três indivíduos específicos dentro de si. De forma parecida a antes, os prótons e nêutrons e elétrons têm uma predisposição (por causa de forças da natureza também, parecidas com as que impeliram os quarks a se unirem) a se unirem em átomos. Como todos vocês já devem ter ouvido falar, existe uma tabela, chamada de “Tabela Periódica dos Elementos Químicos”. Escolheram esse nome por: se tratar de uma tabela, um gráfico composto de linhas e colunas; ser periódica, isto é, certas propriedades se repetirem periodicamente; e ser dos elementos químicos. Criatividade zero, mas enfim.
Nesse nível, passamos a desprezar o que acontece dentro do átomo, lidando com ele como se ele fosse algo sólido (com carga, etc etc etc). Eles se juntam em moléculas, obedecendo as leis químicas, que se juntam em células, que são o constituinte básico de algumas coisas insignificantes, como nós.
Enquanto isso, os quarks estão bem felizes dançando ciranda cirandinha vamos todos cirandar dentro dos prótons, não atentando nem um pouco para o fato de fazerem parte de nós.
O que eu quero salientar, pessoal, a coisa que me fascina na ciência e em tudo, é que por causa de leis básicas, fundamentais, que regem coisinhas pequenas, as coisas grandes acontecem. Quem é que iria dizer que as leis que fazem os quarks se unirem, quando muitos quarks estão juntos, produzem efeitos colaterais tão estranhos?
Vou dar dois exemplos. Hoje estou didático, com vontade de que todos saiam do meu blog com algo novo para pensar, ao invés de só perder temo lendo esse monte de babaquice sem sugar algo de bom. O primeiro, é para o eventual pessoal que sejam meus colegas ou não, que sejam da área técnica. Qualquer um entende, mas é mais aproveitável para quem já sabe das coisas.
Existem determinados materiais que são bons condutores de eletricidade, outros que são maus condutores (isolantes) e existem os intermediários entre eles que são os semicondutores. Não vou nem levantar a questão de que agora já tratei os materiais como se eles não fossem feitos de quarks.
Esses semicondutores, se tratados de uma certa forma, são chamados de tipo N, e de outra, de tipo P. Um tipo tem elétrons sobrando e outro tem elétrons faltando (ambos, então, conduzem eletricidade). Até aí tudo bem, mas o que acontece quando grudamos ambos os tipos em um componente eletrônico?
Juntando os dois, nós formamos um diodo. Esse componente tem a propriedade de conduzir eletricidade em apenas uma direção. Só não explico o porquê para não tornar esse texto ainda mais cansativo.
Se juntarmos três pedaços, dois de um e um do outro, teremos um transistor. Esse é mais complicado que o anterior, e eu mesmo não conheço suas propriedades. Mas são bastante úteis, visto que muitos o consideram como uma das maiores invenções do século.
Se juntarmos vários diodos e vários transistores, nós podemos construir um CI (circuito integrado), que é um componente que realiza uma função específica, e elevando a complexidade, temos um microprocessador, que todos sabemos o que é.
Tudo devido aos átomos de semicondutores.
O segundo exemplo é um que todo mundo que tenha coração vai entender. Por que mesmo o mais impensante dos homens já parou para pensar nisso. Isso ou minha mente é perturbada mesmo.
Falo da emoção. Por que mais complexo que isso, nem o LHC.
Ela surgiu da evolução (Darwin e essa coisa toda), e devido aos inúmeros pequenos detalhes, acabou se tornando algo muito mais grandioso. Muito mais cheio de conseqüências do que de objetivos cumpridos.
Então, caras, os quarks não tem culpa. O amor, o desamor, a amizade, e tudo o que você puder relacionar à emoção, são apenas conseqüências do acaso. Portanto, não são mágica ou algo sobrenatural. Elas são hipernaturais, visto que são causadas por uma série de outras coisinhas com causa natural.
E isso não as desmerece ou diminui, só as tornam mais desejáveis. Temos que aproveitá-las. A probabilidade de elas existirem em um universo como o nosso é pequena o suficiente para ser possível que só existam aqui, então, não desperdicem a chance de viverem que todos nós temos.
Amém.
***
Aos sobreviventes, meu muito obrigado por deixarem eu encher suas cabeças de minhoca. Aos não sobreviventes, meus sinceros sentimentos.
Abraço!
sexta-feira, 26 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
"Be Happy", dizem eles
Durante esse último mês, não vou mentir para vocês, só não postei por que eu não estava me sentindo muito bem, emocionalmente.
Não poucas foram as vezes em que vocês leram aqui por essas bandas eu falando que estava triste sem motivo, apenas causas hormonais causadas por essa fase maravilhosa da vida. Pois é, que saudade que eu tinha desse mau humor! Por que pelo menos ele não tinha um motivo real e logo passava. Agora eu sei o motivo da minha aflição muda, mas sinto o peso dos grilhões nos meus pulsos, então não posso fazer nada, ou quase nada, para mudar minha situação.
Poder fazer eu posso, mas o medo é grande e a inexperiência é ainda maior. Quem nunca tropeçou, quando tropeça a primeira vez, destroça os joelhos. E esse é o único ponto bom: é preciso essas batidas de cabeça de vez em quando para acordar o vivente, e me fazer aprender.
Então, pra condensar melhor:
- talvez eu poste, talvez não poste nos próximos dias.
- A emoção é muito mais complicada de controlar do que a razão, e isso, embora eu já tivesse escutado e assimilado, só agora entendo.
- Agora, pela primeira vez, eu me sinto um adolescente normal, que tem problemas e que se odeia de vez em quando.
- A escola está ótima. Embora as coisas estejam mais difíceis, minhas notas melhoraram em relação ao ano passado, quando já eram boas.
- Eu vou sobreviver, ;)
(o problema é como...)
Então, não levem em conta esse post de hoje quando forem analisar minha escrita, por que ele é absolutamente frágil frente qualquer crítica bem fundamentada. Às vezes o cara precisa dar uma desabafada para estranhos (e alguns amigos do dia-a-dia, e outros unicamente virtuais), até mesmo sem tocar no problema mesmo.
Abraço!
Não poucas foram as vezes em que vocês leram aqui por essas bandas eu falando que estava triste sem motivo, apenas causas hormonais causadas por essa fase maravilhosa da vida. Pois é, que saudade que eu tinha desse mau humor! Por que pelo menos ele não tinha um motivo real e logo passava. Agora eu sei o motivo da minha aflição muda, mas sinto o peso dos grilhões nos meus pulsos, então não posso fazer nada, ou quase nada, para mudar minha situação.
Poder fazer eu posso, mas o medo é grande e a inexperiência é ainda maior. Quem nunca tropeçou, quando tropeça a primeira vez, destroça os joelhos. E esse é o único ponto bom: é preciso essas batidas de cabeça de vez em quando para acordar o vivente, e me fazer aprender.
Então, pra condensar melhor:
- talvez eu poste, talvez não poste nos próximos dias.
- A emoção é muito mais complicada de controlar do que a razão, e isso, embora eu já tivesse escutado e assimilado, só agora entendo.
- Agora, pela primeira vez, eu me sinto um adolescente normal, que tem problemas e que se odeia de vez em quando.
- A escola está ótima. Embora as coisas estejam mais difíceis, minhas notas melhoraram em relação ao ano passado, quando já eram boas.
- Eu vou sobreviver, ;)
(o problema é como...)
Então, não levem em conta esse post de hoje quando forem analisar minha escrita, por que ele é absolutamente frágil frente qualquer crítica bem fundamentada. Às vezes o cara precisa dar uma desabafada para estranhos (e alguns amigos do dia-a-dia, e outros unicamente virtuais), até mesmo sem tocar no problema mesmo.
Abraço!
sábado, 23 de maio de 2009
Cultura, pra não perder o costume
Comentar filmes é algo que gosto de fazer, por que entre um e outro comentário inteiramente destinado ao filme sempre entra algo extra, alguma coisa que estava boiando na minha cabeça a espera de oportunidade de ser compartilhada com o mundo. Como Asimov disse certa vez sobre seu hábito de escrever: “Sinto um prazer inocente em fazer isso. Afinal de contas, tenho muita coisa a dizer, e procurar manter tudo comprimido dentro de mim facilmente poderia danificar meus órgãos internos”. Faço minhas as palavras dele (quanta audácia!), e toco o bonde.
Então, vou comentar dois filmes e o primeiro filme que vou comentar é “Perfume – A história de um assassino”. Baseado em um livro de um autor que confesso a vocês que não lembro o nome (Santo Pai Google me soprou agora: o autor chama-se Patrick Süskind, e é alemão, como pode-se notar pelo sobrenome heterodoxo do tiozinho), conta a história de um garoto que tem um dom incrível: um olfato supra humano. A ambição da vida dele é produzir um perfume irresistível, e o jeito que dá para fazê-lo é extraindo a essência de 13 virgens. Para extrair a tal essência, e ele encara isso como mero detalhe, ele mata as jovens, e isso acaba levando as outras pessoas da história, de mentes menos libertas dos conceitos mundanos e portanto pessoas que não vêem com bons olhos o hábito do protagonista de matar jovens e emplastar os seus corpos nus para extrair seus cheiros, a persegui-lo.
A sensação de olhar esse filme é semelhante à de ler um bom livro. O que quer dizer, baseado em uma lógica simples, que esse é um ótimo filme. Não é previsível, não pode-se distinguir rapidamente bonzinhos de mauzinhos e nem pode-se rotular o final de feliz ou triste, então não recomende esse filme para algum espectador assíduo da Mamãe Globo, porque ele não vai gostar.
Ao contrário de outras tantas histórias que estamos acostumados a assistir, essa não tem uma moral ou algo que possamos levar dali. É a arte pela arte, dá pra dizer. Seu final não é triste nem feliz, é apenas um final. Final feliz é coisa de sessão da tarde, e quando algum autor escapa do beco escuro da falta de criatividade que é esse clichê, e cria uma história do calibre do “Perfume”, devemos dar graças a Deus, dançar ao redor da fogueira e acender velas para Buda, só pra ter certeza.
Enfim, recomendado para quem tem um gosto parecido com o meu, que gosta de novidades ou para quem quer ver as virgens nuas.
O segundo filme que eu gostaria de comentar e indicar para vocês é “V de Vingança”. Igualmente ao anterior, esse não tem bons e maus, embora tenha bastante evidenciado quem é “nós” e quem são “eles”.
O pano de fundo para a história é uma Inglaterra do futuro onde fanáticos religiosos tomaram o poder e instauraram um regime totalitário dos mais completos: repressão da opinião, preconceito a gays/lésbicas/ateus/muçulmanos/outros-grupos-minoritários, lavagem cerebral, toque de recolher... etc. A pena, por exemplo, para alguém que é descoberto com um Al Corão em casa, é a de morte por fuzilamento. Totalitarismo totalmente triste.
A história em si é sobre um revolucionário, chamado simplesmente de “V”, e sobre os mistérios que o envolvem. Nesse filme é preciso pensar mais do que em Perfume, já que aqui o roteiro é mais amarrado e pensado (não que Perfume seja burro, mas é passível de ser olhado sem pensar muito). É baseado em uma graphic novel de mesmo nome, e talvez por isso tenha tantas idéias complexas internas.
Graphic Novel, para quem não sabe, é o nome bonito para História em Quadrinhos. Adulto nenhum, ou pelo menos não um adulto que seja plenamente aceito pela sociedade atual, admite publicamente gostar de HQ. Mas é chique ler graphic novels, e uma revista com esse nome dá a impressão de que só se pode ler enquanto beberica um champanhe francês frente a lareira.
V de Vingança, então, está fortemente recomendado também.
Recado dado, cabeça esvaziada, já me vou.
Abraço!
Então, vou comentar dois filmes e o primeiro filme que vou comentar é “Perfume – A história de um assassino”. Baseado em um livro de um autor que confesso a vocês que não lembro o nome (Santo Pai Google me soprou agora: o autor chama-se Patrick Süskind, e é alemão, como pode-se notar pelo sobrenome heterodoxo do tiozinho), conta a história de um garoto que tem um dom incrível: um olfato supra humano. A ambição da vida dele é produzir um perfume irresistível, e o jeito que dá para fazê-lo é extraindo a essência de 13 virgens. Para extrair a tal essência, e ele encara isso como mero detalhe, ele mata as jovens, e isso acaba levando as outras pessoas da história, de mentes menos libertas dos conceitos mundanos e portanto pessoas que não vêem com bons olhos o hábito do protagonista de matar jovens e emplastar os seus corpos nus para extrair seus cheiros, a persegui-lo.
A sensação de olhar esse filme é semelhante à de ler um bom livro. O que quer dizer, baseado em uma lógica simples, que esse é um ótimo filme. Não é previsível, não pode-se distinguir rapidamente bonzinhos de mauzinhos e nem pode-se rotular o final de feliz ou triste, então não recomende esse filme para algum espectador assíduo da Mamãe Globo, porque ele não vai gostar.
Ao contrário de outras tantas histórias que estamos acostumados a assistir, essa não tem uma moral ou algo que possamos levar dali. É a arte pela arte, dá pra dizer. Seu final não é triste nem feliz, é apenas um final. Final feliz é coisa de sessão da tarde, e quando algum autor escapa do beco escuro da falta de criatividade que é esse clichê, e cria uma história do calibre do “Perfume”, devemos dar graças a Deus, dançar ao redor da fogueira e acender velas para Buda, só pra ter certeza.
Enfim, recomendado para quem tem um gosto parecido com o meu, que gosta de novidades ou para quem quer ver as virgens nuas.
O segundo filme que eu gostaria de comentar e indicar para vocês é “V de Vingança”. Igualmente ao anterior, esse não tem bons e maus, embora tenha bastante evidenciado quem é “nós” e quem são “eles”.
O pano de fundo para a história é uma Inglaterra do futuro onde fanáticos religiosos tomaram o poder e instauraram um regime totalitário dos mais completos: repressão da opinião, preconceito a gays/lésbicas/ateus/muçulmanos/outros-grupos-minoritários, lavagem cerebral, toque de recolher... etc. A pena, por exemplo, para alguém que é descoberto com um Al Corão em casa, é a de morte por fuzilamento. Totalitarismo totalmente triste.
A história em si é sobre um revolucionário, chamado simplesmente de “V”, e sobre os mistérios que o envolvem. Nesse filme é preciso pensar mais do que em Perfume, já que aqui o roteiro é mais amarrado e pensado (não que Perfume seja burro, mas é passível de ser olhado sem pensar muito). É baseado em uma graphic novel de mesmo nome, e talvez por isso tenha tantas idéias complexas internas.
Graphic Novel, para quem não sabe, é o nome bonito para História em Quadrinhos. Adulto nenhum, ou pelo menos não um adulto que seja plenamente aceito pela sociedade atual, admite publicamente gostar de HQ. Mas é chique ler graphic novels, e uma revista com esse nome dá a impressão de que só se pode ler enquanto beberica um champanhe francês frente a lareira.
V de Vingança, então, está fortemente recomendado também.
Recado dado, cabeça esvaziada, já me vou.
Abraço!
domingo, 17 de maio de 2009
Positive Vibrations
Eu tenho me observado ultimamente, nos últimos 15 anos para ser mais preciso, e notei que sou bastante influenciável. Não por todos, algumas pessoas tem um poder de persuasão maior do que outras, mas não é desse tipo de influência a que me refiro. Por que o que me influencia mesmo, é a atmosfera de algum lugar, me deixando alegre, triste, intimidado, encorajado, com vontade de sair correndo pelado, enfim, mexendo de algum jeito com a minha cabeça.
Eu posso estar totalmente alegre, e do nada ficar triste; ou estar triste e do nada ficar feliz; ou do nada ficar com vontade de fazer alguma coisa (os maliciosos de plantão talvez podem se vangloriar agora, já que é possível que tenham captado corretamente a malícia que eu quis passar). Dependendo da música, da temperatura, da cotação do dólar e da quantidade de compromissos da semana seguinte.
Durante a observação que eu fiz de mim mesmo, então, também notei que certos lugares me deixam deveras deprimido. Quando passo, por exemplo, perto da entrada do shopping aqui da minha cidade, me sinto com cinco centímetros de altura, todas as pessoas ao meu redor parecem querer que eu seja atropelado na próxima esquina e todos os maloqueiros e mendigos parecem mentalizar alguma forma de me assaltar ou espancar. A sensação me persegue, até a entrada do sebo que eu freqüento. Ali, de alguma forma, a atmosfera é mais leve e eu consigo respirar aliviado (apesar do intermitente cheiro de livro velho carcomido de traças). Energias positivas, diriam os hippies.
Mas, de uma vez por todas, o que é essa tal energia positiva?
Primeiro seria interessante descobrir de que energia eles falam. Térmica, química, mecânica, elétrica... não parece ser nenhuma dessas. Correntes esotéricas adoram dar explicações científicas para as coisas que não entendem, dando uma certa credibilidade para as próprias crenças absurdas (e para os produtos das suas lojas).
Dizer que o que causa estresse nas pessoas é o acúmulo de energias negativas no corpo é um exemplo das coisas que eles falam. É possível que exista algo a ver, mas o ponto que eles enfatizam é o “negativas”. Oras, a carga do elétron é dita negativa por pura convenção, poderíamos tranquilamente dizer que na verdade quem tem carga negativa é o próton, mas isso iria contra séculos de afirmação do contrário.
A negatividade de um humor, então, nada tem a ver com essas explicações bestas. Nem a energia vital da pessoa (alguém aí lembra do kame-hame-há do Goku?) tem a ver com isso, se é que existe. O humor da pessoa é algo controlado por dentro, nada tendo a ver com o que existe fora da cabeça da pessoa.
Os estímulos externos desencadeiam emoções na gente, mas somos nós que temos que decidir se isso vai ou não estragar o nosso dia. Um bom dia só depende de nós, que somos quem irá decidir a quais coisas devemos dar importância, as boas ou ruins, e até mesmo se devemos dar importância a alguma coisa. Seria legal se algum fanático descobrisse que a sua tão amada energia positiva depende na verdade de uma certa capacidade de controlar as reações químicas neuronais, e não da vontade divina de obscurecer a sua aura.
Então pessoas, é isso que eu quero dizer pra vocês hoje, resumidamente:
- se quiserem ser felizes, vocês podem ser felizes;
- esoterismo fede, ciência rules.
Um abraço!
PS: se algum amigo fanático seu ler isso por cima do seu ombro e quiser saber o meu endereço, desconverse e mude assunto. A minha integridade física agradece, ;)
Eu posso estar totalmente alegre, e do nada ficar triste; ou estar triste e do nada ficar feliz; ou do nada ficar com vontade de fazer alguma coisa (os maliciosos de plantão talvez podem se vangloriar agora, já que é possível que tenham captado corretamente a malícia que eu quis passar). Dependendo da música, da temperatura, da cotação do dólar e da quantidade de compromissos da semana seguinte.
Durante a observação que eu fiz de mim mesmo, então, também notei que certos lugares me deixam deveras deprimido. Quando passo, por exemplo, perto da entrada do shopping aqui da minha cidade, me sinto com cinco centímetros de altura, todas as pessoas ao meu redor parecem querer que eu seja atropelado na próxima esquina e todos os maloqueiros e mendigos parecem mentalizar alguma forma de me assaltar ou espancar. A sensação me persegue, até a entrada do sebo que eu freqüento. Ali, de alguma forma, a atmosfera é mais leve e eu consigo respirar aliviado (apesar do intermitente cheiro de livro velho carcomido de traças). Energias positivas, diriam os hippies.
Mas, de uma vez por todas, o que é essa tal energia positiva?
Primeiro seria interessante descobrir de que energia eles falam. Térmica, química, mecânica, elétrica... não parece ser nenhuma dessas. Correntes esotéricas adoram dar explicações científicas para as coisas que não entendem, dando uma certa credibilidade para as próprias crenças absurdas (e para os produtos das suas lojas).
Dizer que o que causa estresse nas pessoas é o acúmulo de energias negativas no corpo é um exemplo das coisas que eles falam. É possível que exista algo a ver, mas o ponto que eles enfatizam é o “negativas”. Oras, a carga do elétron é dita negativa por pura convenção, poderíamos tranquilamente dizer que na verdade quem tem carga negativa é o próton, mas isso iria contra séculos de afirmação do contrário.
A negatividade de um humor, então, nada tem a ver com essas explicações bestas. Nem a energia vital da pessoa (alguém aí lembra do kame-hame-há do Goku?) tem a ver com isso, se é que existe. O humor da pessoa é algo controlado por dentro, nada tendo a ver com o que existe fora da cabeça da pessoa.
Os estímulos externos desencadeiam emoções na gente, mas somos nós que temos que decidir se isso vai ou não estragar o nosso dia. Um bom dia só depende de nós, que somos quem irá decidir a quais coisas devemos dar importância, as boas ou ruins, e até mesmo se devemos dar importância a alguma coisa. Seria legal se algum fanático descobrisse que a sua tão amada energia positiva depende na verdade de uma certa capacidade de controlar as reações químicas neuronais, e não da vontade divina de obscurecer a sua aura.
Então pessoas, é isso que eu quero dizer pra vocês hoje, resumidamente:
- se quiserem ser felizes, vocês podem ser felizes;
- esoterismo fede, ciência rules.
Um abraço!
PS: se algum amigo fanático seu ler isso por cima do seu ombro e quiser saber o meu endereço, desconverse e mude assunto. A minha integridade física agradece, ;)
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Mundo Estranho
Acordei em um dia dessa semana, sem saber que haveria algo diferente. Fiz tudo normal, mas aos poucos fui notando estranhas mudanças ao meu redor.
Primeiramente, não fiquei com sono em nenhum momento da manhã, sendo que tradicionalmente eu dou umas pregadas de olho de alguns segundos. Consequentemente, peguei rapidamente a matéria, algo que não acontecia desde o ano passado com a minha pessoa.
Passou-se algum tempo, sem mudanças estranhas ou interessantes. Então, como era dia de coral, desci pro centro. Ao passar pelo viaduto, estavam andando na minha direção duas garotas. Tudo certo, bonitas, aparentemente simpáticas entre si, e quando passam por mim uma delas estende a mão para mim e na mão dela tinha um desses panfletos que se entrega na rua. Instintivamente estendi a mão, ela era bonita né, fazer o quê. Quase que eu caio na brincadeira da tirana. Mas recuei a mão a tempo de evitar passar por um possuidor de bobice desmedida. Elas riram, eu ri, e continuei andando.
Mais adiante no caminho, um carro vermelho passa por mim e eu olho para o motorista. Por um microssegundo ocorre aquela centelha elétrica de reconhecimento. O carro anda mais um pouco e então estaciona na calçada. Eu dou uma corrida, pensando “Eba, carona!” e quando olho para o motorista, o motorista me olha de volta e nós ficamos nos olhando, quando eu brilhantemente quebro o silêncio constrangedor perguntando “Eu te conheço?”, ao que ele me responde “Não sei”.
O diálogo segue por mais três ou quatro frases curtas, onde ele me pergunta onde eu estudo e para onde estou indo. Aparentemente, ele me conhece do Orkut, mas meu sentido aranha me avisou do perigo de ser um desses engraçadinhos que acham que podem inventar novas formas de seqüestro. Então, falei no melhor jeito amigável possível que valeu a gente se vê, e ele não pareceu se importar com a minha retirada para que ele pudesse começar a se chamar de idiota que fica parando a qualquer momento para ver se conhece um rapaz que estava passando.
Depois desse episódio, passei a notar que todas as pessoas na rua estavam invariavelmente simpáticas, quando sempre é o contrário. Ah, acabei ficando de bom humor também, não dá pra evitar.
Cheguei no ensaio, tudo normal, fui pra casa com uma idéia de post para o blog. Isso, principalmente, foi o que eu achei estranho. Tempão sem escrever e do nada me dá essa lâmpada piscando acima da cabeça com uma idéia. Mas, claro, cheguei em casa, tomei um banho e o entusiasmo foi todo junto no ralo.
Mas hoje retomei a idéia, e está aí o resultado. Estava com saudades disso.
Enfim, espero que amanhã, quando eu acorde, o mundo – ou eu, afinal não sei o que mudou – continue assim como está agora.
Abraços fortes!
Primeiramente, não fiquei com sono em nenhum momento da manhã, sendo que tradicionalmente eu dou umas pregadas de olho de alguns segundos. Consequentemente, peguei rapidamente a matéria, algo que não acontecia desde o ano passado com a minha pessoa.
Passou-se algum tempo, sem mudanças estranhas ou interessantes. Então, como era dia de coral, desci pro centro. Ao passar pelo viaduto, estavam andando na minha direção duas garotas. Tudo certo, bonitas, aparentemente simpáticas entre si, e quando passam por mim uma delas estende a mão para mim e na mão dela tinha um desses panfletos que se entrega na rua. Instintivamente estendi a mão, ela era bonita né, fazer o quê. Quase que eu caio na brincadeira da tirana. Mas recuei a mão a tempo de evitar passar por um possuidor de bobice desmedida. Elas riram, eu ri, e continuei andando.
Mais adiante no caminho, um carro vermelho passa por mim e eu olho para o motorista. Por um microssegundo ocorre aquela centelha elétrica de reconhecimento. O carro anda mais um pouco e então estaciona na calçada. Eu dou uma corrida, pensando “Eba, carona!” e quando olho para o motorista, o motorista me olha de volta e nós ficamos nos olhando, quando eu brilhantemente quebro o silêncio constrangedor perguntando “Eu te conheço?”, ao que ele me responde “Não sei”.
O diálogo segue por mais três ou quatro frases curtas, onde ele me pergunta onde eu estudo e para onde estou indo. Aparentemente, ele me conhece do Orkut, mas meu sentido aranha me avisou do perigo de ser um desses engraçadinhos que acham que podem inventar novas formas de seqüestro. Então, falei no melhor jeito amigável possível que valeu a gente se vê, e ele não pareceu se importar com a minha retirada para que ele pudesse começar a se chamar de idiota que fica parando a qualquer momento para ver se conhece um rapaz que estava passando.
Depois desse episódio, passei a notar que todas as pessoas na rua estavam invariavelmente simpáticas, quando sempre é o contrário. Ah, acabei ficando de bom humor também, não dá pra evitar.
Cheguei no ensaio, tudo normal, fui pra casa com uma idéia de post para o blog. Isso, principalmente, foi o que eu achei estranho. Tempão sem escrever e do nada me dá essa lâmpada piscando acima da cabeça com uma idéia. Mas, claro, cheguei em casa, tomei um banho e o entusiasmo foi todo junto no ralo.
Mas hoje retomei a idéia, e está aí o resultado. Estava com saudades disso.
Enfim, espero que amanhã, quando eu acorde, o mundo – ou eu, afinal não sei o que mudou – continue assim como está agora.
Abraços fortes!
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